Os jardins históricos da Casa de Margaride, localizada em Guimarães, passam a fazer parte da mais prestigiada rota internacional de jardins históricos, ao lado dos jardins do Parque de Serralves, do Palácio Nacional de Queluz e dos Parques da Pena e de Monserrate, em Sintra. A candidatura foi aprovada na Assembleia Geral da European Route of Historic Gardens (ERHG), que decorreu em Atenas, na Grécia, entre os dias 7 e 9 deste mês.
Conforme destaca a Casa de Margaride em comunicado de imprensa, essa admissão representa um novo marco em um percurso de conservação, valorização e reconhecimento patrimonial que, ao longo dos últimos catorze anos, vem acumulando sucessivas distinções nacionais e internacionais. A integração em uma Rota certificada como Itinerário Cultural do Conselho da Europa confere especial importância a esse reconhecimento, atribuindo-lhe uma dimensão europeia de notável prestígio.
Trajetória de reconhecimento patrimonial
A admissão dos Jardins Históricos da Casa de Margaride inscreve esse patrimônio vimaranense em um percurso de valorização da história, da cultura e da paisagem europeias, reforçando sua projeção internacional e seu significado para Guimarães. Em 2012, a classificação da Casa e dos Jardins de Margaride como Monumento de Interesse Público reconheceu a dimensão arquitetônica desse conjunto histórico. Dez anos depois, em 2022, a classificação do jardim como Arvoredo de Interesse Público consagrou também seu valor botânico e, nesse mesmo ano, três de suas árvores foram autonomamente classificadas como de Interesse Público. Essa dupla classificação reconhece, assim, duas dimensões complementares de seu valor patrimonial e faz de Margaride o único jardim privado do Norte de Portugal duplamente inscrito no rol do Patrimônio Nacional. Em 2023, uma camélia japónica do jardim, classificada como de Interesse Público em 2022, foi eleita Árvore do Ano de Guimarães.
Vale destacar que, em 2024, o mesmo exemplar conquistou o título de Árvore do Ano de Portugal e, em 2025, representou o país no concurso Árvore Europeia do Ano, alcançando o quarto lugar.
Um jardim histórico singular e candidatura europeia
Em 2026, a integração na Rota Europeia de Jardins Históricos dá continuidade a esse percurso e coroa o consistente e apurado trabalho de conservação, valorização e promoção desenvolvido pela Casa e pelos Jardins de Margaride. Às classificações patrimoniais de 2012 e 2022 e às distinções alcançadas entre 2023 e 2024 sucede agora a admissão em uma Rota internacional, que reconhece o valor histórico, paisagístico e botânico de um jardim que alia patrimônio vivo, autenticidade e continuidade familiar. Documentada desde 1021 e pertencente à mesma família há mais de cinco séculos, ao longo de treze gerações, a Casa de Margaride conserva um jardim barroco português criado por volta de 1675. Murado e organizado em três espaços de composição sequencial, axial e simétrica, destaca-se pela singularidade e raridade de sua coleção de camélias multiseculares, cujo porte e trabalho em topiária lhe conferem excecional valor botânico e paisagístico. Sobressai a Casa de Fresco: uma estrutura vegetal composta por uma monumental camélia com cerca de quinze metros de altura, circundada por uma alta sebe de buxo, formando um círculo com cerca de quarenta metros de perímetro, acrescenta a Casa de Margaride, ao sublinhar que parterres de flores sazonais, fontes, muros e um antigo sistema hidráulico em pleno funcionamento completam o conjunto. No ano em que Guimarães é Capital Verde Europeia, essa distinção evidencia a contribuição dos agentes públicos e privados para a conservação da natureza e do patrimônio, demonstrando como a preservação de um jardim histórico pode conciliar memória, biodiversidade e valorização do território.
Membro fundador da Rota Portuguesa de Jardins Históricos, a Casa de Margaride reforça, com essa admissão, sua projeção internacional e abre novas oportunidades de cooperação e turismo cultural. Estima-se que, ao longo de 2026, a Casa e os Jardins de Margaride recebam cerca de 2.000 visitantes, contribuindo para a valorização da oferta cultural e turística de Guimarães.







