As eleições para a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa trouxeram avanços importantes para a representação feminina no Espírito Santo.
Nossa bancada federal dobrou. Estaremos representadas por Jack Rocha (PT) e Emanuela Pedroso (PSB). Na Assembleia Legislativa, passamos de quatro para seis deputadas, um crescimento de cerca de 13% para 20% das cadeiras.
São vozes que podem ampliar o debate público e dar visibilidade às dores, às demandas e aos direitos das mulheres capixabas.
Celebro esse resultado porque acredito em políticas públicas eficientes para todos, especialmente para quem mais precisa. E as mulheres, sobretudo as mais vulneráveis, ainda enfrentam desigualdades que exigem atenção, compromisso e ação.
A presença feminina nos espaços de poder não é garantia automática de ética ou de compromisso com as pautas das mulheres. Há exceções em todos os grupos. Mas aumentar essa representação é também ampliar as possibilidades de vigilância sobre direitos, de construção de políticas inclusivas e de participação nas decisões que afetam a sociedade.
Por isso, preocupa o crescimento do discurso antifeminista e de iniciativas que desestimulam a participação política das mulheres. É ainda mais grave quando vozes públicas negam a existência do feminicídio em um país onde tantas mulheres continuam sendo assassinadas por maridos, companheiros e ex-parceiros.
Não se trata de divergências partidárias. Trata-se de reconhecer uma realidade que custa vidas.
O direito ao voto, ao estudo, à pesquisa, à produção de conhecimento e à ocupação de espaços de decisão não nos foi concedido por generosidade. É fruto de décadas de luta, dedicação e resistência de mulheres que abriram caminhos para as gerações seguintes.
Foram elas que contribuíram para descobertas científicas, avanços na saúde e tantas outras conquistas que beneficiam toda a humanidade. Desconsiderar essa trajetória é ignorar a história e colocar em risco direitos conquistados a duras penas.
O avanço de narrativas machistas, excludentes e antidemocráticas deve nos estimular a fortalecer espaços de diálogo e articulação entre mulheres de diferentes partidos. Temos mulheres inteligentes, preparadas e comprometidas em todos eles. Não podemos permitir que interesses de poder se sobreponham à defesa da dignidade, da liberdade e da cidadania.
O poder só faz sentido quando colocado a serviço do bem comum, traduzido em ações concretas e políticas públicas que promovam inclusão e reduzam desigualdades.
Há um ensinamento bíblico que atravessa o tempo: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:20).
Diante de promessas grandiosas, inclusive as que oferecem recompensas no céu, cabe uma pergunta. Quais frutos foram produzidos na defesa das mulheres e dos demais cidadãos por quem já ocupou espaços de poder?
Mais do que discursos, precisamos observar práticas, escolhas e resultados.
Que Estado e que país queremos deixar para as futuras gerações?
É isso que está em jogo. E essa escolha exige consciência, memória e responsabilidade.







