Cerca de 100 lideranças empresariais de variadas regiões do Brasil se posicionaram, em Florianópolis (SC), a favor de uma maior articulação entre as associações comerciais para aumentar a capacidade de influência do setor produtivo nos debates do Congresso Nacional, abordando temas como jornada de trabalho, Simples Nacional e reforma tributária. A discussão aconteceu durante o 4º Encontro Nacional de Fortalecimento do Associativismo, organizado pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) em conjunto com a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc).
O evento, que ocorreu no dia 20 de maio, juntou lideranças empresariais de todo o território nacional vinculadas ao G50+ – uma coletivo formado por líderes de associações comerciais de várias regiões brasileiras. A reunião contou ainda com a presença de presidentes de federações estaduais, parlamentares, especialistas e autoridades públicas.
Os representantes do setor produtivo debateram questões como integração institucional, representatividade e o fortalecimento do setor no cenário nacional. Para os envolvidos, o associativismo brasileiro precisa ampliar sua atuação em discussões sobre pautas nacionais de relevância para o segmento – abrangendo aspectos tributários e alterações na legislação trabalhista.
O presidente da CACB, da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) e da Associação Comercial de SP (ACSP), Alfredo Cotait Neto, destacou a relevância de estruturar o associativismo para aprimorar o debate sobre temas de interesse do setor. “Precisamos erguer uma estrutura de organização do sistema que respeite a individualidade e a autonomia de cada um, abrangendo as associações, as federações e a própria CACB”, enfatizou Cotait.
Na perspectiva das lideranças empresariais, essas temáticas demandam articulação e monitoramento setorial junto ao Congresso Nacional.
O presidente da FACISC, Elson Otto, defendeu um envolvimento maior do setor produtivo nas entidades de representação e ressaltou a relevância da união do empresariado para fortalecer o associativismo no Brasil.
“O empresário tem a obrigação de participar da associação empresarial, da sua federação, de valorizar o trabalho que nossa confederação, a CACB, desenvolve em Brasília. É nessa direção que apoiamos o G50. Precisamos estar juntos, unidos e ativos. Temos que levar nossas demandas e nossos pleitos aos governadores, ao presidente da República, e defender o associativismo como um instrumento de transformação das nossas comunidades”, afirmou Otto.
G50+
O grupo G50+ congrega algumas das mais importantes associações empresariais do Brasil. O encontro foi liderado pelo coordenador executivo do G50+, Rodrigo Geara, que ressaltou que o evento foi além da oficialização do grupo, consolidando uma agenda de trabalho para o colegiado.
No que diz respeito aos eixos de atuação do grupo, Geara comunicou que, na esfera da Governança, o objetivo é promover a aproximação e o fortalecimento das associações e federações.
Já na área de Relações Governamentais, a meta é estabelecer um fluxo de trabalho que gere resultados concretos, valorizando iniciativas como a Rede Parlamentar de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
O coordenador executivo do G50+ afirmou que o encontro e a presença do grupo evidenciaram o potencial do engajamento das lideranças.
“O G50 é um movimento que simboliza o fortalecimento efetivo do associativismo, por meio da integração, da união e da unidade de voz, constituindo assim um grande bloco de transformação. E é disso que o Brasil necessita. Nosso encontro aqui tem o propósito de sensibilizar lideranças e, sobretudo, buscar o engajamento e o compromisso de fazer parte desse movimento de transformação nacional”, declarou Geara.
A proposta inclui ainda o fortalecimento de uma Rede Integrada de Comunicação, focada em apoiar o associativismo em todo o Brasil, em sintonia com as associações e federações.
Articulação política
Os participantes enfatizaram a importância de uma postura associativista diante de medidas que a CACB considera como tendo “potencial de prejudicar os pequenos negócios”. A entidade citou, como exemplo, a recente edição das medidas que reduziram a zero o Imposto de Importação para remessas internacionais de até US$ 50 – ação conhecida popularmente como ‘taxa das blusinhas’.
O presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, também defendeu condições mais equânimes para a indústria brasileira diante da concorrência estrangeira. “É necessário estabelecer equilíbrio com isonomia para preservar a competitividade no mercado entre a produção nacional e as importações”, destacou Cotait.
Na avaliação da entidade, essa medida favorece plataformas estrangeiras em prejuízo do pequeno comércio nacional.
Durante o evento, a CACB apresentou dados que indicam que os pequenos negócios representam 93,8% do empresariado brasileiro. Além disso, existem mais de 23,4 milhões de micro e pequenos negócios, que são responsáveis por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
De acordo com a CACB, a integração das lideranças empresariais no evento demonstrou que o setor está dedicado a aperfeiçoar os mecanismos de organização para reforçar a atuação das entidades – tanto em nível local, quanto regional e nacional, conforme os participantes, com ênfase na esfera política. A proposta do setor é converter o alinhamento em desenvolvimento de ações concretas.







