ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA, DESENVOLVIMENTISMO E OS DILEMAS DAS EMERGÊNCIAS CLIMÁTICAS NA GRANDE CANA AMARELA
Num lugar tão próximo, fica a cidade de Grande Cana Amarela. É a cidade das novidades, sempre à frente de outras cidades da região, vista todas como inimigas. Todos os visitantes que passam pela Grande Cana Amarela avistam suas belezas e infortúnios, convivendo quase sem espanto, mas produzindo dúvidas a quem não é do lugar.

Não se trata de déficit cognitivo ou de falta de recursos, mas de um impasse político e conjuntural no qual as classes médias urbanas locais e os endinheirados recusam-se a pensar a cidade em perspectiva de longo prazo, por meio de um planejamento que priorize a população residente.

Acreditam que a riqueza social e coletiva produzida pelos investimentos anunciados com festas e justificados por representarem mais empregos, trabalho, renda e riqueza resolverá os desafios econômicos, políticos, sociais, urbanos e ambientais de uma cidade fragmentada e esgarçada pelas diferenças e disparidades sociais, econômicas e urbanas. A cidade está à deriva.
Enquanto os que moram na faixa litorânea parecem ignorar as questões ambientais relativas ao aumento do nível do mar, os prédios têm o céu como limite e os bairros novos de alto padrão surgem pressionando o sistema de água, esgoto e transporte, além das demandas econômicas e sociais. Se os mais ricos e endinheirados, portadores de diplomas, títulos, nomes e riquezas, não discutem a cidade para além dos ganhos financeiros, econômicos e rentistas.

Entretanto, o otimismo em torno do crescimento econômico da cidade, a euforia de que estamos conquistando o paraíso e o desenvolvimentismo voluntário de todos os grupos sociais impõem-se de forma dominante. Quase todos buscam estratégias e alternativas para fazerem parte desse Eldorado ou Serra Pelada que a Grande Cana Amarela se tornou. Uma hipervalorização, governada por uma demanda potencial ou futura, eleva os preços de tudo — terrenos, casas, aluguéis e outros bens.
Quase sempre, os atingidos por essa grande campanha urbana de crescimento, que reduz a cidade a uma mina de ouro ou de diamante, secundarizam, infelizmente, qualquer discussão que não signifique valorização, ganhos, vantagens e benefícios. Qualquer ação que não represente mais ganhos é silenciada, obliterada e negligenciada, mesmo quando urgente e incontornável.







