Recentemente, abordei o tema ‘Neurodivergente” e algumas características do TEA e TDAH. Hoje, vamos conversar sobre o TEA no ambiente educacional.
Pesquisas apontam que o uso funcional da linguagem no TEA é peça chave para entender as alterações das habilidades de adaptação social e aprendizagem.
Crianças com TEA podem não ter comunicação funcional por atraso no desenvolvimento da linguagem, apesar de conseguirem formar frases, por vezes complexas, mas fora de contexto, não estabelecendo a troca de mensagens coerentes no convívio social.
Na infância, apresentam atraso na fala, pouco contato visual, ausência de gestos como apontar, dificuldade na brincadeira compartilhada, preferindo atividades sozinhas, comportamentos repetitivos (balançar mãos, girar objetos), apego a rotinas, reação exagerada a sons intensos, luzes ou texturas. Concentram-se em certos conteúdos ou objetos.
Em diferentes fases, as características podem variar, mas envolvem desafios como padrões repetitivos de comportamento, na comunicação e na interação social.
Cada indivíduo apresenta combinações únicas de características. Por isso, o diagnóstico precoce na infância contribui para um melhor prognóstico do quadro.
O DSM-5, da Associação Americana de Psiquiatria (2014), aponta critérios para a avaliação clínica e o diagnóstico preciso. Ajuda profissionais da saúde, como o fonoaudiólogo, pois classifica as dificuldades em 3 níveis de suporte, que descrevem maior ou menor prejuízo da comunicação e da socialização.
Impactos no ambiente escolar
Em geral, a literatura descreve:
- Atraso na fala e dificuldade em compreender linguagem figurada dificultam a compreensão de explicações, pedir ajuda ou interagir com colegas.
- Não manifestar interesse em brincadeiras conjuntas e não compreender regras sociais reduzem oportunidades de aprendizado.
- Alterações na rotina escolar geram ansiedade e crises, dificultando a adaptação.
- Movimentos repetitivos ou interesses restritos prejudicam a atenção nas atividades.
- Ruídos na sala de aula, luzes fortes ou texturas de materiais (sensibilidade sensorial) causam desconforto, distração ou crises, exigindo adaptações ambientais.
Atuação do Fonoaudiólogo na Educação
A Resolução nº 605 (2021), do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa), explica a atuação do fonoaudiólogo na Educação.
O profissional atua em ambientes educacionais formais: instituições de ensino, escolas de educação infantil, ensino fundamental, ensino médio, ensino profissionalizante, educação de jovens e adultos, educação especial, ensino superior, secretarias de educação, núcleos de educação, dentre outros, favorecendo o processo de ensino-aprendizagem, as práticas pedagógicas, a comunicação e sua relação com a aprendizagem.
Em ambientes não formais: bibliotecas, ONGs, conselhos e fóruns de educação, assessoria e consultoria,
Na Educação, o fonoaudiólogo NÃO realiza atendimento clínico/terapêutico, pois a escola é um espaço coletivo, pedagógico e não clínico. Realiza ações de prevenção e promoção da saúde da comunicação e define as necessidades da comunidade escolar. Desenvolve ações educacionais contribuindo para o desenvolvimento de competências de educadores e educandos visando à otimização do processo ensino-aprendizagem. (CFFa nº 387, 2010).
No art. 2.o: L) Na Educação, o profissional contribui para a inclusão, promovendo a acessibilidade na comunicação, ‘auxiliando’ os professores e a equipe pedagógica nos casos de dificuldades de aprendizagem, com meios e técnicas. Após essa intervenção, se for o caso, o fonoaudiólogo esclarece a necessidade de encaminhamento para avaliação clínica, fora do ambiente educacional.
Nos casos de TEA, o fonoaudiólogo assessora e colabora com a equipe na elaboração do Plano Educacional Individualizado, orienta o aprendizado do estudante, adaptando objetivos de aprendizagem às habilidades individuais, orienta e dá suporte aos professores em suas práticas.
O diagnóstico médico é essencial para classificar pela CID-11, ajudando no encaminhamento para intervenções clínicas e educacionais adequadas.
Por fim, cada criança necessita de atenção individualizada de acordo com os níveis de suporte, mas em todas as fases da vida o acompanhamento adequado é essencial para promover autonomia, inclusão e qualidade de vida.







