O ministro da Agricultura e Pecuária em exercício, Cleber Soares, esteve presente no lançamento do relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025, elaborado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU). O evento ocorreu na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em Brasília.
Pela primeira vez, o Brasil foi palco do lançamento desse documento, sob organização do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em sua sexta versão regional, o relatório compila evidências científicas e informações de Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais, centros regionais, instituições de pesquisa e parceiros do sistema ONU.
Na cerimônia, a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, enfatizou o papel do relatório como ferramenta para impulsionar ações de adaptação e prevenção climática. “O relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025 não é apenas uma publicação científica. É um apelo à ação. Ele nos pede para fortalecer as observações, investir em serviços, abordar as deficiências nos sistemas de alerta precoce e garantir que as informações climáticas cheguem a quem mais precisa delas”, afirmou.
Na abertura, Cleber Soares salientou o trabalho do Inmet na geração de informações e alertas meteorológicos para o Brasil, reconhecendo o empenho das equipes técnicas dedicadas ao monitoramento climático.
Conforme o ministro em exercício, discutir resiliência climática exige considerar três pilares essenciais: mitigação, adaptação e sustentabilidade. Ele também mencionou as políticas públicas voltadas à agricultura de baixa emissão de carbono adotadas pelo Brasil desde 2010, por meio do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC).
“Entre 2010 e 2020, o plano estabeleceu metas para a adoção de tecnologias sustentáveis, como fixação biológica de nitrogênio, recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta, florestas plantadas e sistemas intensivos sustentáveis. Se o Brasil não tivesse iniciado esse processo de mitigação ainda em 2010, os impactos climáticos poderiam ser muito mais severos”, declarou Soares.
O ministro ainda ressaltou que, no novo ciclo do Plano ABC, de 2021 a 2030, a meta é incluir mais 50 milhões de hectares em sistemas resilientes e de baixa emissão de carbono, além de mitigar 1,1 gigatonelada de CO₂ equivalente.
O relatório foi apresentado pelo climatologista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Segundo ele, as temperaturas em 2025 continuaram acima da média histórica, enquanto as geleiras andinas seguem perdendo extensão, comprometendo a segurança hídrica regional. O especialista também alertou para a elevação do nível do mar em áreas costeiras do Atlântico e do Caribe e para o aumento de eventos extremos, como chuvas intensas, secas, ondas de calor e ciclones tropicais.
A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Anna Flávia Sena, destacou a relevância de relatórios científicos para orientar políticas públicas e informar a sociedade sobre os efeitos das mudanças climáticas. “Não há mais possibilidade de convivermos com desinformação, porque não temos prazo para agir. Os relatórios são instrumentos importantes de registro da memória climática regional, construídos com base em conhecimento científico, que nos alertam sobre a necessidade de combinarmos resiliência e adaptação climática, proteção de ecossistemas e transição para modelos de desenvolvimento de baixo carbono”, afirmou.
Outro ponto destacado no lançamento foi que 2025 já está entre os anos mais quentes da história. Projeções da OMM indicam alta probabilidade de novos recordes de temperatura até o fim desta década.
Diante desse cenário, o Governo Federal tem ampliado os investimentos na meteorologia brasileira, com contratação de técnicos e expansão da capacidade operacional. A meta é que, até junho de 2027, o país alcance 977 estações meteorológicas automáticas, todas equipadas com transmissão via satélite e sistema de redundância dupla. A modernização permitirá aumentar a frequência das leituras meteorológicas, hoje realizadas uma vez ao dia, para intervalos de até 10 minutos, quando necessário, garantindo respostas mais ágeis a desastres naturais e eventos climáticos extremos.
“O lançamento do relatório reforça a importância da cooperação entre países, instituições e centros de pesquisa diante dos desafios trazidos pelas mudanças climáticas e pelos eventos extremos, cada vez mais frequentes”, afirmou o diretor do Inmet, Carlos Alberto Jurgielewicz.
Também participaram do evento a diretora do Cemaden, Regina Célia dos Santos Alvalá, e o secretário nacional de Segurança Hídrica do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Giuseppe Vieira.







