Mercado se encontra entre alívio e cautela com o cenário geopolítico e doméstico, enquanto investidores acompanham os desdobramentos no Oriente Médio.
O dólar encerrou o dia com uma forte desvalorização de 1,35%, sendo negociado a R$ 4,997 nesta segunda-feira (18). Esse movimento acompanhou a queda da moeda no exterior e ocorreu em meio a uma correção das altas recentes do dólar. A sessão também foi influenciada pelas conversas no Oriente Médio, que geraram incertezas entre os investidores, mas apontaram para uma possível amenização do conflito. A Bolsa também caiu 0,17%, fechando aos 176.975 pontos, em linha com o desempenho de Wall Street.
O cenário doméstico refletiu o internacional. O índice DXY, que avalia o desempenho do dólar perante seis moedas fortes, recuou 0,29%. No mercado de ações, houve um movimento de aversão ao risco nas Bolsas americanas, com o S&P 500 e a Nasdaq registrando quedas de 0,20% e 0,51%, respectivamente.
Para Marcos Praça, diretor de análises da Zero Markets Brasil, o mercado encerra esta segunda-feira dividido entre a procura por alívio e a prudência em relação ao conflito no Oriente Médio. Ele também aponta um processo de correção na moeda norte-americana, com investidores aproveitando as altas recentes para vender dólares e realizar lucros.
“O dólar corrige parte do estresse da sexta-feira. O dia termina com uma mensagem clara: qualquer progresso nas negociações de paz pode aliviar os ativos de risco”, afirma.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, também compartilha uma visão semelhante. “O câmbio passou por um ajuste técnico e testa o patamar de R$ 5, monitorando o alívio temporário no exterior provocado pelos sinais de distensão entre EUA e Irã, que chegaram a reduzir os preços das commodities na parte da tarde — embora o petróleo Brent ainda esteja perto dos US$ 110”.
No domingo (17), o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã caso o país não aceite a proposta norte-americana. “Para o Irã, o tempo está se esgotando, e é melhor eles se mexerem, rápido, ou não restará nada deles”, declarou o republicano em sua plataforma Truth Social.
Horas depois, conforme informações da Reuters, Teerã enviou uma resposta à proposta de paz feita pelos norte-americanos. O Paquistão, que atua como mediador entre as partes, confirmou o recebimento do documento e o encaminhou aos Estados Unidos.
“Os pontos destacados são demandas iranianas que têm sido firmemente defendidas pelo país a cada rodada de negociações”, afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Esmail Baqai, nesta segunda-feira.
A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim informou, com base em uma fonte próxima às negociações, que os americanos concordaram em suspender as sanções ao petróleo iraniano. Além disso, os EUA teriam permitido que o Irã mantenha atividades nucleares pacíficas sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA) e adiado um ataque ao Irã, que estava previsto para terça-feira (19).
O conflito pressiona as cotações do petróleo e adiciona incertezas às cadeias globais de insumos, elevando a preocupação com uma alta inflacionária mundial. Além do impacto sobre os combustíveis, há o temor de repasses para itens como alimentos, uma vez que o diesel é um dos principais insumos da cadeia produtiva.
O preço do petróleo ultrapassou novamente os US$ 110 após 13 dias com as ameaças de Trump. O barril Brent, referência mundial, chegou a ser negociado a US$ 111,99. No entanto, por volta das 17h, a commodity recuava 0,26%, cotada a US$ 108,98.
No Brasil, o conflito já se reflete nos indicadores de inflação e levou o Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, a adotar uma postura mais cautelosa no ciclo de cortes da taxa de juros. Na ata da última reunião, em maio, o colegiado afirmou que a magnitude e a duração dos cortes serão determinadas conforme novas informações forem divulgadas. Para o comitê, os indicadores de inflação mostraram sinais evidentes dos efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio.
No mercado doméstico, também merecem destaque os dados do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), considerado um sinalizador do PIB (Produto Interno Bruto). O indicador registrou uma queda de 0,7% em relação ao mês anterior, superando a estimativa de retração de 0,2% prevista por economistas consultados pela Reuters. Essa foi a primeira redução mensal neste ano e a mais intensa desde maio de 2025.
“O desempenho menos positivo observado em março reforça a necessidade de cautela à frente devido ao cenário macroeconômico que se mostra mais adverso por conta do impasse no Oriente Médio”, afirma Yihao Lin, economista da Genial Investimentos. De acordo com ele, os dados de atividade de março são consistentes com a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, porém exigem cuidado devido à deterioração da dinâmica inflacionária.
Internamente, os investidores seguiram atentos aos desdobramentos do caso que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, atualmente preso. Na semana passada, o site Intercept Brasil revelou que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, com um aporte de R$ 61 milhões por parte do ex-banqueiro. A Folha e o próprio Flávio confirmaram as mensagens; o senador negou ter recebido ou oferecido vantagens em decorrência disso.
A Polícia Federal suspeita que recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para financiar despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele reside desde fevereiro de 2025. Eduardo e Flávio negam as acusações. Essas revelações provocaram a maior alta (+2,24%) do dólar desde 5 de dezembro, data em que a moeda disparou 2,33% após o anúncio de Flávio Bolsonaro como candidato de Jair Bolsonaro, surpreendendo o mercado financeiro, que até então preferia o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Na semana passada, o dólar registrou alta de 3,5% com a volatilidade, na maior valorização semanal de 2026. A Bolsa, por outro lado, recuou 3,7%.







