O Espírito Santo apresentou, nos três primeiros meses de 2026, uma retração de 2,5% nas atividades turísticas. Apesar desse resultado, o estado atingiu um feito inédito ao registrar 432 mil desembarques de passageiros em um único trimestre, o que representa o maior volume da aviação civil desde o começo da série histórica, iniciada no ano 2000.
Os dados do período de janeiro a março de 2026 foram divulgados por representantes do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), o diretor Antonio Freislebem e o especialista Pablo Lira, em conjunto com membros da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), como o secretário Luciano Machado e o gerente Rafael Granvilla.
Para o diretor geral do IJSN, Antonio Freislebem, a queda no turismo não ofusca os avanços conquistados. Ele avalia que os números continuam sendo positivos.
Encerramos 2025 com uma expansão bastante intensa no setor. Dessa forma, a base de comparação com o trimestre atual é muito elevada. Embora tenha havido uma redução, isso indica apenas que não mantivemos o mesmo ritmo de crescimento quando confrontamos o quarto trimestre com o terceiro, o que é um movimento natural. Quando se atinge certo patamar, torna-se desafiador sustentar esse nível.
Antonio Freislebem, diretor geral do IJSN
A retração nas atividades não foi um fenômeno isolado no Espírito Santo. A região Sudeste registrou uma diminuição de 1,3%, enquanto o Brasil como um todo apresentou queda de 2,6% na comparação com o trimestre anterior.
Entretanto, na comparação com o mesmo período de 2025, o turismo capixaba mostrou crescimento de 1,1%. O Sudeste avançou 1,2% e o Brasil registrou alta de 0,9%.
No acumulado dos últimos quatro trimestres, o setor cresceu 2,7% no Espírito Santo, 2,2% no Sudeste e 3,5% em todo o país.
| Região | Trimestral com ajuste sazonal (%) | Trimestral interanual (%) | Acumulada no ano (%) | Acumulada em 4 trimestres (%) |
|---|---|---|---|---|
| Espírito Santo | -2,5 | 1,1 | 1,1 | 2,7 |
| Sudeste | -1,3 | 1,2 | 1,2 | 2,2 |
| Brasil | -2,6 | 0,9 | 0,9 | 3,5 |
Informalidade e mercado de trabalho
As informações divulgadas também evidenciam que a informalidade continua sendo um obstáculo para quem atua no turismo. Cerca de 35,9% dos 165,8 mil trabalhadores do setor estão em ocupações informais.
Entre os segmentos, a alimentação é o que apresenta a maior proporção de informalidade, com 43,3% dos ocupados. Nessa categoria estão, por exemplo, vendedores ambulantes e pequenos empreendedores que trabalham em praias e eventos.
O especialista em políticas públicas e gestão governamental Pablo Lira ressaltou que, embora a formalização seja crucial para aumentar a arrecadação e fortalecer os negócios, muitos empreendimentos começam suas atividades na informalidade antes de fazer a transição para o mercado formal.
Nos demais segmentos, as atividades culturais e desportivas têm 31,5% de informalidade; o transporte, 27,5%; os serviços de hotelaria, 9,7%; e outras atividades, 32,8%.
| Segmento | Taxa de Informalidade (%) |
|---|---|
| Alimentação | 43,3 |
| Outras atividades características | 32,8 |
| Atividades culturais e desportivas | 31,5 |
| Transporte | 27,5 |
| Alojamento | 9,7 |
Renda e remuneração no setor
No que diz respeito à renda, o rendimento médio habitual dos profissionais do turismo foi de R$ 2.861 no primeiro trimestre. Esse valor fica abaixo da média dos demais setores da economia capixaba, que foi de R$ 3.635.
Entre os segmentos turísticos, as atividades culturais e esportivas se destacaram com uma das maiores remunerações, atingindo uma média de R$ 3.457.
Esse resultado é influenciado, entre outros fatores, pelos impactos econômicos do Carnaval, um evento que movimentou a economia criativa e atraiu um grande público para o estado.
Pablo Lira, especialista em políticas públicas e gestão governamental
Segundo Pablo Lira, somente no Centro de Vitória, a população flutuante durante o período carnavalesco foi de aproximadamente 400 mil pessoas ao longo de uma semana, o que impulsionou a geração de renda, empregos e oportunidades para empreendedores.
O setor de transporte registrou um rendimento médio de R$ 3.299, enquanto outras atividades turísticas alcançaram R$ 2.980. Já os segmentos de alimentação e alojamento apresentaram médias menores, de R$ 2.560 e R$ 2.135, respectivamente.
| Segmento | Rendimento médio habitual (R$) |
|---|---|
| Atividades culturais e esportivas | 3.457 |
| Transporte | 3.299 |
| Outras atividades turísticas | 2.980 |
| Alimentação | 2.560 |
| Alojamento | 2.135 |
Geração de empregos formais
No mercado de trabalho formal, o turismo encerrou o primeiro trimestre de 2026 com um saldo positivo de 772 vagas com carteira assinada no Espírito Santo. No mesmo período, os demais setores da economia somaram 2.066 novos postos formais.
O segmento de alojamento foi o único a registrar saldo negativo no trimestre, reflexo do fim de contratos temporários relacionados à temporada de verão.
No acumulado dos últimos 12 meses, todos os segmentos apresentaram saldo positivo, o que indica uma expansão contínua do emprego formal na cadeia turística.
| Segmento turístico | Saldo no 1º trimestre de 2026 | Acumulado em 4 trimestres |
|---|---|---|
| Alimentação | 547 | 1.514 |
| Transportes | 344 | 253 |
| Alojamento | -86 | 75 |
| Atividades culturais e desportivas | -32 | 40 |
| Outras atividades | -1 | 178 |
Entre os municípios, Vitória liderou tanto as contratações quanto os desligamentos no período, com 2.768 admissões e 2.570 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 198 novos empregos.
Vila Velha e Serra também estiveram entre as cidades com maior movimentação no mercado de trabalho turístico. Considerando o saldo de empregos, Cachoeiro de Itapemirim teve o melhor desempenho no primeiro trimestre, com a criação líquida de 226 vagas formais no setor.
| Município | Admissões | Desligamentos | Saldo |
|---|---|---|---|
| Vitória | 2.768 | 2.570 | 198 |
| Vila Velha | 1.768 | 1.703 | 65 |
| Serra | 1.362 | 1.358 | 4 |
| Linhares | 723 | 616 | 107 |
| Cariacica | 598 | 540 | 58 |
| Cachoeiro de Itapemirim | 581 | 355 | 226 |
| Guarapari | 502 | 638 | -136 |
| Colatina | 358 | 265 | 93 |
| Aracruz | 329 | 324 | 5 |
| São Mateus | 266 | 277 | -11 |
Transporte aéreo e rodoviário
Mesmo com a queda nas atividades turísticas, os meses de fevereiro e março tiveram os melhores resultados para esses meses desde o início do levantamento.
Além do aumento da oferta, a demanda também avançou. O número de passageiros cresceu mais de 17% na comparação anual, enquanto a taxa média de ocupação das aeronaves chegou a 78%, considerada elevada para o setor e também um recorde para o período.
O transporte terrestre seguiu essa trajetória de crescimento. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostram um aumento de 4,27% no fluxo de passageiros em ônibus de excursão no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Origem e destinos dos turistas
Minas Gerais continuou sendo o principal emissor de turistas para o Espírito Santo, com cerca de 89 mil passageiros transportados por excursões. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.
Entre os destinos mais procurados pelos excursionistas, Guarapari manteve a liderança, com mais de 61 mil passageiros no trimestre. Vitória aparece na sequência, seguida por Piúma, Vila Velha e Marataízes, que também registraram crescimento no fluxo de visitantes.
O transporte rodoviário regular teve um desempenho ainda mais expressivo. O fluxo de passageiros saltou de 317 mil para 422 mil viajantes no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 33,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Janeiro foi o mês de maior destaque, com um avanço superior a 50%.







