Um satélite batizado de LINK, lançado recentemente com a missão de impulsionar a órbita de um observatório espacial em declínio, não conseguirá concluir a ousada operação de resgate.
O Observatório Neil Gehrels Swift, da Nasa (Agência Espacial Americana), que opera há décadas, segue perdendo altitude de forma constante e corre o risco de reentrar na atmosfera da Terra.
Desenvolvido pela Katalyst Space Technologies, sediada no Arizona, para salvar o observatório, o satélite LINK começou a apresentar falhas no fim de julho.
Poucas semanas após o lançamento, em 3 de julho, ele passou a girar sem controle.
A Katalyst conseguiu retomar o comando do satélite, mas reconheceu que o problema consumiu tempo e atrasaria o encontro do LINK com o Swift em cerca de um mês. O adiamento, ao menos inicialmente, não parecia representar um risco para a missão.
Agora, porém, a Nasa e a Katalyst anunciaram que o LINK não vai capturar e elevar o Swift a uma órbita mais alta “devido a problemas contínuos de controle de atitude”, conforme comunicado divulgado na quarta-feira (19).
A missão científica do Swift, portanto, está com os dias contados: o observatório provavelmente será destruído ao queimar na atmosfera da Terra ainda neste ano, segundo a Nasa.
“A Nasa precisa estar disposta a agir rápido e assumir riscos inteligentes quando o retorno potencial compensa, e foi exatamente isso que fizemos nesta missão”, afirmou o administrador da Nasa, Jared Isaacman, em nota.
“Este não é o resultado que esperávamos, mas não muda o motivo pelo qual valeu a pena tentar. A equipe agiu com velocidade extraordinária para dar ao Swift a chance de produzir mais ciência enquanto ampliava as capacidades que os Estados Unidos vão precisar para a manutenção de satélites no futuro.”
Mas a trajetória do LINK ainda não terminou, e os ensinamentos obtidos podem ser essenciais para futuras operações de manutenção no espaço.
Demonstrando capacidades futuras
A equipe da missão mantém o plano de fazer o LINK encontrar o Swift, mas agora como uma demonstração em vez de um resgate.
“Vamos aprender tudo o que for possível com a tentativa de encontro do LINK e aplicar essas lições nas próximas missões”, disse Isaacman.
Originalmente, o LINK deveria inspecionar o Swift para identificar os melhores pontos de ancoragem no observatório — etapa que provavelmente integrará o encontro previsto do satélite, embora ainda não se saiba quando esse teste será realizado.
O Swift não foi projetado para receber manutenção em órbita, o que torna os dados da demonstração úteis para missões futuras.
“A Katalyst projetou, desenvolveu e lançou uma espaçonave experimental para cumprir uma missão ambiciosa em um cronograma agressivo”, disse Ghonhee Lee, CEO da Katalyst Space Technologies, em comunicado. “Aceitamos o desafio de alto risco e alta recompensa e temos orgulho dos marcos alcançados pelo caminho.”
“Já aprendemos uma quantidade imensa e agora o nosso trabalho é transformar essas lições em algo permanente — construir um manual replicável para orientar futuras operações de aproximação, proximidade e manutenção de satélites.”
Preenchendo a lacuna
O Swift, que não tem um substituto observacional pronto nos bastidores, funciona como uma multiferramenta astrofísica em órbita baixa da Terra desde o lançamento, há quase 22 anos, girando rapidamente para acompanhar objetos celestes e eventos cósmicos.
O arrasto atmosférico, agravado pela atividade solar, porém, cobrou seu preço, e a Nasa estima que o Swift reentrará na atmosfera terrestre quando cair abaixo da altitude ideal de cerca de 300 quilômetros.
A Katalyst projetou, construiu, testou e lançou o LINK em nove meses. O satélite robótico partiu a bordo de um foguete Northrop Grumman Pegasus XL, lançado do ar pela aeronave modificada L-1011 da companhia, a Stargazer.
Antes do lançamento, integrantes das equipes do Swift e do LINK já reconheciam que o caminho para elevar o observatório era repleto de riscos que poderiam levar ao fracasso da missão.
“Todos esperávamos mais ciência do Swift”, afirmou Shawn Domagal-Goldman, diretor da Divisão de Astrofísica na sede da Nasa em Washington, D.C. “Mas sabíamos que os aprendizados desta missão valeriam a pena de qualquer forma, e ganhamos muito com a série de conquistas até aqui.”
A agência contará com o restante de sua frota de observatórios ativos para suprir a ausência do Swift e “seguirá priorizando a busca por novas opções para reagir rapidamente a eventos cósmicos”, segundo a Nasa.
“Construir, testar e operar esta missão já fortaleceu a cadeia da indústria espacial dos Estados Unidos, impulsionando as capacidades de manutenção no espaço de maneiras totalmente novas”, disse Domagal-Goldman.
“A Nasa está comprometida em apoiar nossos fornecedores comerciais enquanto eles assumem tarefas difíceis com a agência, para expandir os limites do possível.”







