Tenho apreciado o silêncio e a solidão demasiadamente… existe prazer maior do que fazer parte do silêncio? De tender a ser só? Acredito que não. O silêncio existe para ser apreciado pelas almas sensíveis que, por si só, são silenciosas… A solidão, ou melhor, a solitude, nos entrega a nós mesmos.
Ela nos dá a possibilidade de nos conhecermos melhor, de fazer aquela autoanálise, de não pensar em nada e nem em lugar algum. É o privilégio de ser quem somos, simplesmente. Diferente da solidão que por vezes nos perturba, nos corrói a alma e o corpo ao sentirmos que algo nos falta. A solitude não. Ela é necessária. Ela nos ensina a esperar, a superar, a nos curar, talvez de nós mesmos. Eu sempre me pego e me apego nessa solitude, mesmo que meus dias sejam conturbados e sem cor, sem nitidez. Eu me entrego a ela para poder viajar para lugares nunca antes visitados. Para lugares onde posso sobreviver a mim mesma…
E o silêncio… ah, esse grande mestre… quanta coisa ele delineia sem que a gente precise se esforçar muito. Sem que a gente precise buscar um lugar onde não haja ruído algum… não precisa. O silêncio nos habita. Cabe a nós encontrá-lo nos lugares menos palpáveis e imagináveis. No recôndito do nosso ser e estar. Por isso digo que o silêncio também está em lugares barulhentos, porque ele vem de dentro. Nós só precisamos aprender a buscá-lo. Essa é a chave para silenciar e ter um pouco de paz neste mundo estrépito. Esse senhor, velho conhecido (ou desconhecido) nosso, é capaz de nos encontrar no trânsito, no trabalho, no teatro e até mesmo no nosso barulho interior. Basta pensar nele. Se eu quero silêncio, que eu silencie… e assim posso alcançar as nuvens, o arco-íris, a música… E vejam que a música é a deusa que rompe o silêncio e, contraditoriamente, podemos encontrar o silêncio nela, não só através das pausas das partituras.
Se eu pudesse falar com Deus, eu pediria mais encontros com o silêncio que vive em mim e que tenta a qualquer custo me tirar da solidão. Isso porque eu gosto também da solidão e da solitude. Não apenas do silêncio. Silêncio, solidão e solitude são tão necessários quanto o vinho, o azeite e o chocolate. Quem vive sem? Eu não vivo, pois são três grandes prazeres que os deuses nos presentearam, assim como o silêncio e suas reais consequências: a solidão e a solitude.
Sejamos mais silenciosos. Sejamos mais solitários e experimentemos mais a nossa solitude! Estão aí três grandes mestres que nos ensinam a vida inteira. Basta procurá-los.







