Desde o outono de 2025, os valores das memórias RAM e flash NAND experimentam uma elevação acentuada. Para contextualizar, um módulo de 16 GB DDR5 saltou de aproximadamente 37 dólares no ano anterior para impressionantes 200 dólares atualmente. Essa escalada de preços decorre da elevada demanda por parte de gigantes do setor de inteligência artificial, o que eleva os custos tanto para consumidores quanto para empresas fabricantes de computadores e dispositivos móveis.
Uma análise recente conduzida pela TrendForce demonstra como essa crise impactou o mercado já no primeiro trimestre de 2026. No total, a indústria produziu apenas 284 milhões de smartphones nesse período, uma queda de 1,7% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. Especialistas apontam que o efeito completo ainda não foi sentido, pois as marcas ainda operam com estoques remanescentes de 2025. Contudo, a projeção para o ano completo indica uma retração de 16,2% na produção mundial, o que equivale a cerca de 1,051 bilhão de unidades.
O impacto nos fabricantes de dispositivos mais acessíveis
Os números revelam que as empresas voltadas para equipamentos de menor custo são as mais atingidas. A Xiaomi, por exemplo, reduziu sua produção em 38% em relação ao mesmo período do ano passado. Embora a marca siga inovando, com recentes investimentos em dispositivos modulares focados em captura de imagem e o lançamento de seu novo modelo topo de linha para a geração atual, o volume total de unidades saindo das fábricas sofreu um duro golpe. A Vivo também foi afetada, registrando uma diminuição de 8% em sua fabricação.
Razões por trás da retração no mercado
Para entender a fundo essa contração produtiva, é essencial considerar três fatores centrais que estão redesenhando a indústria em 2026:
- Crescimento exponencial dos custos de hardware: A escalada de preços nos módulos de memória DDR5 e no armazenamento NAND comprimiu as margens de lucro das fabricantes, forçando uma redução no volume de unidades montadas para evitar perdas significativas.
- Pressão exercida pela inteligência artificial: A demanda incansável por componentes de alta performance por parte de empresas focadas em IA, como a OpenAI, redirecionou a prioridade das linhas de semicondutores, relegando o mercado de consumo tradicional a um segundo plano.
- Esgotamento dos estoques antigos: Embora as marcas tenham mantido preços estáveis por alguns meses utilizando os inventários acumulados em 2025, essas reservas estão se esgotando, exigindo ajustes imediatos nas estratégias de produção.
Apple e Samsung seguem na contramão
Por outro lado, as marcas que comercializam produtos com preços médios mais elevados se encontram em uma posição muito mais favorável. A Samsung conseguiu elevar sua produção em 2%, dado que reforça sua liderança nas vendas do mercado europeu nos primeiros meses do ano. Já a Apple experimentou um crescimento expressivo de 20% em seu volume de fabricação, impulsionado pela enorme aceitação da linha iPhone 17.







