O banco Santander destacou ações brasileiras que se sobressaem na adoção de inteligência artificial na Bolsa de Valores. A inteligência artificial vem se consolidando como um vetor fundamental de eficiência, escala e vantagem competitiva no cenário global, especialmente na América Latina.
Com base nessa perspectiva, a instituição financeira selecionou dez empresas latino-americanas que implementaram a tecnologia no último ano e apresentaram os melhores desempenhos.
Conforme a metodologia de pontuação do Santander, as dez companhias líderes na América Latina são: Globant (GLOB, listada em Nova York), Totvs (TOTS3), Nubank (BDR: ROXO34), Itaú (ITUB4), TIM (TIMS3), Magazine Luiza (MGLU3), Banorte (negociada na Bolsa Mexicana de Valores), C&A (CEAB3), Coca-Cola FEMSA (listada em Nova York e México) e YDUQS (YDUQ3).
Desse grupo, seis são negociadas diretamente na Bolsa brasileira: Totvs, Itaú, TIM, Magazine Luiza, C&A e YDUQS. A Nubank, embora seja uma empresa brasileira, é listada na NYSE, com papéis disponíveis no Brasil por meio de BDRs.
| Empresa | Pontuação (1T26) |
| Globant | 97 |
| Totvs | 89 |
| Nubank | 88 |
| Itaú | 86 |
| TIM | 86 |
| Magazine Luiza | 85 |
| Banorte | 83 |
| C&A | 82 |
| Coca-cola | 78 |
| Yduqs | 78 |
O estudo revela, de modo geral, que a maturidade em inteligência artificial na região está se ampliando para além das empresas de tecnologia, gerando líderes nos segmentos de software, bancos, telecomunicações, varejo, consumo e educação.
A média setorial também indicou que as companhias de tecnologia não são as únicas a comandar a incorporação da IA. Embora o setor de software continue na dianteira, empresas de telecomunicações e consumo também alcançaram boas médias no agregado.
Ações brasileiras em destaque
A Totvs ficou com a segunda posição no ranking geral, registrando uma pontuação média de 89 no 1T26. Para efeito de comparação, a primeira colocada, a Globant, encerrou o trimestre com 97 pontos.
Segundo os analistas do Santander, a companhia está desenvolvendo uma das trajetórias de IA mais distintas do setor de software corporativo (o mesmo segmento da Globant). Em 2025, a TOTVS informou que os habilitadores relacionados à inteligência artificial já representavam mais de 17% de sua receita anual.
De acordo com o levantamento, a empresa está posicionando a IA como uma camada de expansão sobre seu sistema integrado de gestão empresarial (ERP). Além disso, utiliza a tecnologia para dados de fluxos de trabalho de pequenas e médias empresas.
Entre as ações brasileiras, o Itaú surge na sequência. No ranking geral, o banco ficou na quarta colocação. Para os analistas, a instituição possui uma das divulgações mais sofisticadas sobre IA entre os bancos estabelecidos.
O Itaú reportou mais de 500 casos de uso internos de IA focados em eficiência e produtividade, além do PIX via WhatsApp impulsionado por inteligência artificial e capacidades transacionais. Para os analistas do Santander, isso sinaliza uma base de adoção interna em grande escala.
Paralelamente, as aplicações de IA voltadas ao cliente estão sendo progressivamente integradas às jornadas de pagamento e atendimento. Apesar do desempenho positivo, em comparação com o trimestre anterior, o banco perdeu três pontos na média estipulada pelo Santander.
Score Santander
No total, o Santander analisou os relatórios de 118 empresas da América Latina sob sua cobertura, no período entre o 1T25 e o 1T26. Os analistas buscaram identificar companhias que apresentam evidências públicas concretas de adoção de IA, casos de uso, execução e impacto mensurável.
Nesse intervalo, as empresas em estágio avançado de adoção de IA saltaram de 17,4% para 30,8%. Conforme os analistas, companhias como Nu, Itaú, TIM, Banorte e Coca-Cola FEMSA surgem como adotantes de IA mais resilientes, com características mais alinhadas à tese de investimento conhecida como Halo Trade.
Essas aplicações são sustentadas por regulação, dados próprios, relacionamento com clientes, infraestrutura de telecomunicações, sistemas de risco ou distribuição física.
Para o banco, a inteligência artificial na América Latina já não é apenas um tema de inovação. Com o avanço da adoção, a tecnologia vem se transformando em um tema de produtividade, monetização e qualidade das divulgações corporativas. Os casos mais relevantes, segundo o Santander, combinam implementação concreta de IA com defesas estruturais mais sólidas.







