No consultório, realizamos uma individualização do tratamento considerando fatores que a inteligência artificial muitas vezes não contempla, como qualidade do sono, rotina de trabalho e hábitos de vida. O exame clínico, por sua vez, possibilita detectar condições muito sutis que o paciente não consegue observar sozinho, explica a especialista.
Na visão da médica, a IA frequentemente desempenha uma função de acolhimento que o sistema de saúde não é capaz de oferecer plenamente. Ela ressalta que é preciso considerar a realidade brasileira, onde as consultas dos planos de saúde têm duração de apenas 15 minutos, dificultando a construção de um vínculo entre paciente e profissional. No entanto, a inteligência artificial não pode ocupar o espaço do contato humano.
O pesquisador Felipe Reis alerta que é necessário ter cuidado ao utilizar essas tecnologias. Muitas delas não passaram por testes com pacientes, não são transparentes quanto às fontes consultadas, podem gerar apreensão nas pessoas e até desacreditar os profissionais. Para ele, o próximo passo na saúde será o desenvolvimento de modelos mais treinados e específicos para a área.
Talvez o maior obstáculo seja fazer com que a IA auxilie o paciente a compreender melhor sua condição de saúde, usando essas ferramentas como um suporte e mantendo sempre o profissional como orientador. O paciente pode levar as informações ao especialista, tornando a decisão um processo compartilhado, conclui Reis.
IA especializada
Em resposta ao debate sobre o uso de inteligência artificial na saúde, grandes empresas de tecnologia têm investido em plataformas voltadas para profissionais da área, como Claude for Health, OpenAI for Healthcare e Med-Gemini.







