Após aproximadamente 80 dias de quietude, o Sol retomou sua intensa atividade e liberou duas erupções solares de classe X, a categoria mais potente que se conhece, em um espaço de tempo bastante reduzido.
As duas explosões ocorreram com um intervalo de apenas sete horas. A origem delas foi o grupo de manchas solares AR4419, situado na borda oeste do astro. Conforme divulgado pela plataforma de climatologia e meteorologia espacial Spaceweather.com, o primeiro evento, classificado como X2.4, foi registrado às 22h07 (horário de Brasília) de quinta-feira (23). O segundo, um X2.5, ocorreu às 5h14 da manhã de sexta-feira (24).
Os impactos dessas explosões foram percebidos na Terra de forma quase instantânea. A radiação emitida gerou apagões de rádio em ondas curtas na porção iluminada do planeta. O primeiro efeito atingiu áreas do Oceano Pacífico e da Austrália, enquanto o segundo prejudicou comunicações no Leste Asiático, interrompendo sinais e provocando instabilidade temporária.
Sol realiza erupção simpática – entenda o fenômeno
Antes dessas erupções mais intensas, a mesma região já exibia atividade elevada, com diversas erupções de classe M registradas na quinta-feira. Os cientistas também observaram uma “erupção simpática”, termo usado quando duas áreas distintas do Sol emitem energia quase simultaneamente, mesmo estando em lados opostos da estrela, o que sinaliza grande instabilidade magnética.
Here’s a multi-wavelength view of tonight’s X2.5-class #SolarFlare. This is the strongest flare we’ve seen for 78 days. pic.twitter.com/OpvR6oR3Ta
— Dr. Ryan French (@RyanJFrench) April 24, 2026
As erupções do tipo X podem ser acompanhadas por ejeções de massa coronal (CME), que são grandes nuvens de plasma e campos magnéticos lançadas do Sol ao espaço. Neste caso, como a região ativa se encontra na borda oeste da estrela, a maior parte do material não deve atingir a Terra de forma direta. Mesmo assim, os especialistas continuam monitorando a trajetória, pois um impacto indireto também pode causar tempestades geomagnéticas e até mesmo intensificar as auroras.
O que são erupções solares
Erupções solares são explosões repentinas de energia na superfície do Sol. Elas liberam radiação intensa, sob a forma de luz ultravioleta e raios X, viajando à velocidade da luz pelo espaço e alcançando nosso planeta em poucos minutos.
De acordo com a NASA, esses eventos são categorizados em cinco níveis: A, B, C, M e X. Cada classe representa um aumento de dez vezes na intensidade em relação à anterior. Além disso, recebem uma numeração de 1 a 9, que indica sua potência. Um X2, por exemplo, é duas vezes mais forte que um X1, um X3 é três vezes mais potente, e assim sucessivamente.
Quando essa radiação atinge a atmosfera terrestre, ela modifica a ionosfera, camada responsável pela propagação dos sinais de rádio. Esse processo intensifica a ionização do ar, dificultando a transmissão de ondas curtas. Como consequência, os sinais podem se enfraquecer, sofrer distorções ou até mesmo desaparecer momentaneamente.
Os recentes eventos solares demonstram como o Sol pode alternar rapidamente entre fases de baixa e alta atividade, gerando erupções capazes de afetar sistemas tecnológicos terrestres mesmo sem um impacto físico direto. Isso ressalta a natureza dinâmica do clima espacial e sua importância crescente para a sociedade contemporânea.
Diante desse cenário, o monitoramento contínuo do Sol é fundamental para antecipar riscos e minimizar falhas em comunicações e satélites, configurando-se como uma medida estratégica para a proteção da infraestrutura tecnológica global.







