Em audiência de abertura do processo judicial contra a OpenAI, a equipe de defesa do empresário Elon Musk sustentou que Sam Altman e Greg Brockman teriam abandonado a finalidade humanitária original da companhia em prol de interesses financeiros.
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O emblemático embate entre Elon Musk e a OpenAI começou nesta terça-feira (28), na corte federal de Oakland. O advogado principal de Musk, Steven Molo, lançou argumentos incisivos contra Sam Altman e Greg Brockman, acusando-os de desviar a missão de uma entidade sem fins lucrativos em proveito pessoal.
Acusação de desvio de instituição beneficente
A linha central da tese de Molo é que a OpenAI foi estabelecida com o compromisso sério de criar a Inteligência Artificial Geral (AGI) — uma IA com habilidades iguais ou superiores às humanas — para o “bem de toda a humanidade”. De acordo com o advogado, depoimento repercutido pelo The New York Times, essa finalidade foi corrompida quando os líderes colocaram o lucro em primeiro lugar.
Molo concluiu sua argumentação inicial com uma afirmação contundente voltada ao júri: “É absolutamente errado roubar uma instituição de caridade”.
Musk como defensor ético da inteligência artificial
A abordagem da defesa procura evitar que o processo seja visto como uma simples jogada comercial para prejudicar um concorrente. Os representantes legais de Musk buscam convencer os jurados de que a causa possui um caráter existencial e moral para o empresário:
- Preocupação histórica: Molo revelou que, há tempos, Musk se encontrou com o ex-presidente Barack Obama para alertar sobre os perigos da IA, mas o governo não tomou providências na ocasião.
- Imagem e reputação: em um gesto calculado, Musk se pôs de pé e cumprimentou o júri enquanto sua defesa reconhecia que “nem toda opinião sobre ele é positiva”, numa tentativa de aproximar a figura do bilionário dos jurados.
- Controle e finanças: a defesa admitiu que Musk também propôs incorporar uma unidade lucrativa à OpenAI anteriormente, mas com uma distinção essencial: a organização sem fins lucrativos manteria a supervisão rigorosa sobre a subsidiária, algo que, segundo ele, se perdeu na administração atual.
A ideia era que Elon tivesse comando sobre a subsidiária com fins lucrativos, porém a relevância dessa subsidiária se reduziria com o passar do tempo.
Steven Molo, advogado de Elon Musk.
O enriquecimento de Sam Altman sob questionamento
Um dos obstáculos de Musk no processo é que Sam Altman não detém participação acionária direta na OpenAI. Entretanto, Molo sustentou que Altman se beneficia financeiramente por meio de várias outras empresas que realizam negócios com a própria OpenAI. Além disso, a defesa destacou que Altman já sinalizou a possibilidade de aceitar participação na empresa no futuro, o que reforçaria a alegação de enriquecimento indevido, conforme aponta o The New York Times.
Confronto de gigantes nos tribunais
A corte de Oakland reúne alguns dos advogados mais influentes dos Estados Unidos:
- Equipe Musk: comandada por Steven Molo (especialista em litígios comerciais) e Marc Toberoff (conhecido por ações de direitos autorais contra Hollywood).
- Equipe OpenAI: liderada por William Savitt, o mesmo jurista que representou o Twitter contra Musk na conturbada aquisição de US$ 44 bilhões.
- Equipe Microsoft: a gigante tecnológica, principal parceira da OpenAI e também ré no caso, é representada por Russell P. Cohen, especialista em antitruste.
A juíza Yvonne Gonzalez Rogers sinalizou que esta fase inicial do julgamento deve se estender por cerca de quatro semanas. Alegações de práticas antitruste contra a Microsoft e a OpenAI foram reservadas para uma possível segunda etapa, ainda sem confirmação.







