Hackers afirmam ter roubado dados de dezenas de empresas, como Shell e Philips

Um coletivo de hackers reconhecido por explorar falhas em softwares para promover ataques em larga escala declarou ter obtido grandes volumes de informações de aproximadamente 50 organizações ao redor do mundo, entre elas Shell, Philips, GE e Fiserv. A declaração foi divulgada no portal oficial do grupo, conforme informações da Reuters.

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As companhias mencionadas confirmaram ter sido alvo ou disseram que estão apurando as alegações, porém até o momento não há confirmação independente sobre quais dados teriam sido acessados ou sobre o volume de informações comprometidas.

A agência de notícias também não conseguiu validar de forma autônoma as afirmações do grupo. Os invasores não responderam às solicitações de posicionamento enviadas pela Reuters.

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Empresas reconhecem ataques ou dizem investigar

  • A Philips confirmou ter sido alvo do grupo Cl0p. De acordo com a empresa, foi identificada e neutralizada uma tentativa de invasão a um servidor corporativo específico ligado a informações internas;
  • “A Philips identificou e conteve uma tentativa de comprometimento de segurança de um servidor corporativo específico relacionado a dados internos”, afirmou a companhia;
  • A organização acrescentou que o ocorrido não impacta ambientes de clientes;
  • A Shell, por sua vez, afirmou estar ciente de um possível incidente recente, corroborando uma informação divulgada anteriormente pela imprensa holandesa BNR;
  • “Estamos atuando com nossas equipes de segurança e especialistas relevantes para apurar a situação”, declarou um porta-voz da Shell;
  • A Fiserv também confirmou que está ciente das alegações feitas pelo grupo. A empresa, no entanto, afirmou não ter encontrado indícios de comprometimento de dados.

Segundo um porta-voz, “com base em nossa análise abrangente até o momento”, não foram identificados sinais de que dados de clientes, bancários, transações ou informações pessoais tenham sido comprometidos. A organização também disse não ter encontrado evidências de impacto em seu ambiente operacional.

A GE declarou estar ciente da alegação e informou que acionou seus protocolos de resposta a incidentes cibernéticos. “Iniciamos nossos protocolos de resposta cibernética e estamos trabalhando para avaliar o possível problema”, afirmou um porta-voz.

Grupo pode ter explorado brechas em softwares industriais

Ainda não está claro como os invasores teriam conseguido acessar as organizações. Uma pista possível está em vulnerabilidades identificadas nos softwares Windchill e FlexPLM, ambos da empresa PTC. As duas plataformas são usadas para apoiar processos de engenharia e manufatura.

O Ransom-ISAC, grupo especializado no compartilhamento de informações sobre ransomware e ameaças digitais, publicou um alerta em 22 de julho, indicando que o Cl0p estava explorando brechas nesses produtos.

A PTC, com sede em Boston (EUA), não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters. A companhia, porém, publicou diversos avisos de segurança em seu site desde 18 de junho, recomendando que clientes instalassem uma correção para uma vulnerabilidade e divulgando informações sobre um atacante não identificado que estaria explorando seus produtos.

Cl0p mira vulnerabilidades, e não empresas específicas

Brandon Parsons, gerente de inteligência de ameaças da Ascent Solutions e autor do alerta do Ransom-ISAC, afirmou que algumas empresas começaram a receber notificações do Cl0p em 19 ou 20 de julho. Segundo ele, o grupo não costuma eleger organizações específicas como alvo. Em vez disso, procura falhas em softwares amplamente adotados e tenta explorá-las em várias organizações ao mesmo tempo.

Parsons classificou os integrantes do grupo como “profissionais de extorsão de dados”. “Eles não têm como alvo uma empresa específica; eles têm como alvo uma vulnerabilidade específica de dia zero e vão atrás dela”, afirmou.

O termo zero-day (ou dia-zero, em português) é usado para vulnerabilidades ainda desconhecidas ou para as quais os fornecedores de software ainda não disponibilizaram uma correção. Essa abordagem permite que um mesmo grupo explore uma falha presente em diferentes organizações, potencialmente obtendo acesso a grandes quantidades de dados em uma única campanha.

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