A garantia dos direitos das pessoas com deficiência também envolve o direito de participar das decisões que afetam diretamente as suas vidas. Por essa razão, discutir inclusão não pode se limitar a falar sobre deficiência, mas sim a criar condições para que as próprias pessoas com deficiência sejam ouvidas, consideradas e reconhecidas como sujeitos de direitos. Esse princípio está no centro da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que ocorre ao longo desta semana.
A importância da escuta e participação
Em 2026, a campanha adota o tema “Deficiência não define. Oportunidade transforma. Inclua nossa voz!”, ressaltando a relevância da escuta, do respeito às escolhas e da participação das pessoas com deficiência.
De acordo com a Apae Brasil, a construção do tema contou com a participação de autodefensores, em conformidade com o princípio “Nada sobre nós, sem nós”. Incluir a voz das pessoas com deficiência significa ir além da presença em espaços de debate.
Trata-se de reconhecer sua capacidade de expressar desejos, opiniões e escolhas, além de assegurar que essas manifestações tenham espaço nas decisões sobre educação, trabalho, saúde, cultura, mobilidade, acessibilidade e políticas públicas. Essa participação também deve levar em conta as diferentes formas de comunicação.
Comunicação e autonomia
Nem todas as pessoas se comunicam por meio da fala. Gestos, olhares, movimentos e recursos de comunicação alternativa também são formas de manifestação e devem ser valorizados. A ausência da fala, portanto, não pode ser interpretada como ausência de opinião ou de autonomia.
O tema da Semana Nacional também evidencia outro aspecto: a deficiência, por si só, não determina o que uma pessoa pode fazer ou alcançar. As limitações à participação social estão igualmente relacionadas às barreiras arquitetônicas, comunicacionais, sociais e atitudinais, bem como à falta de acessibilidade e de apoio adequado.
Participação como exercício da cidadania
Nesse contexto, discutir direitos com a participação das pessoas diretamente envolvidas contribui para identificar problemas que podem não ser percebidos por quem está fora dessa realidade. A experiência cotidiana de quem enfrenta obstáculos no transporte, na escola, no trabalho ou nos espaços públicos é uma fonte essencial para a formulação e o acompanhamento de políticas de inclusão.
A participação, portanto, não deve ser encarada como uma etapa complementar das políticas públicas. Ela integra o próprio exercício da cidadania. Ouvir as pessoas com deficiência e respeitar suas escolhas é reconhecer que elas devem estar não apenas como destinatárias, mas também como protagonistas na construção das decisões que afetam suas vidas.
A Semana Nacional coloca essa discussão em destaque ao propor que a sociedade não apenas fale sobre inclusão, mas inclua a voz das próprias pessoas com deficiência. A transformação passa por abrir espaços de participação, remover barreiras e converter direitos previstos em oportunidades concretas de escolha, autonomia e pertencimento.






