Os camelos transportam cargas mais pesadas que cavalos e burros e, sobretudo, suportam longas travessias sem água. Eles eram capazes de ficar dez dias sem encontrar uma fonte e, mesmo assim, seguiam resistindo.
Com os camelos, o Saara deixou de parecer tão colossal e aterrorizante. Passou a ser um desafio que, com estratégia e planejamento, podia ser superado. Por essa razão, poetas árabes chamavam esses animais de “navios do deserto”.
Os perigos das caravanas
Ainda assim, o deslocamento era extremamente perigoso. As caravanas só viajavam no inverno e nas horas mais frias do dia e da noite.
Os líderes precisavam conhecer profundamente a paisagem e o clima do deserto para acompanhar a movimentação das dunas e enfrentar tempestades de areia. Perder-se, ainda que por pouco, podia ser fatal.
As caravanas carregavam o mínimo necessário de comida e água, conforme explicou o historiador Martin Meredith em O Destino da África (Editora Zahar). A necessidade de água, como era de se presumir, representava uma preocupação constante.
Os organizadores traçavam as rotas de modo a garantir uma distância segura entre os poços. Mas os riscos sempre existiam: um poço podia estar seco, outro podia conter água envenenada.







