Colesterol alto: sintomas, causas e como controlar

Ao abordar o tema do colesterol, é comum escutar que existe um tipo benéfico e outro prejudicial. Antes de compreender essa distinção, porém, é necessário entender o básico: o que é o colesterol? Trata-se de um tipo de gordura, ou lipídio, presente na corrente sanguínea desde o nascimento.

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Qual a sua função? Ele é essencial para a formação das membranas celulares, da bile (que auxilia na digestão) e de diversos hormônios esteroides. Também atua no transporte de vitaminas lipossolúveis, como as vitaminas A, D, E e K.

Os dois tipos de colesterol

O LDL (Lipoproteína de Baixa Densidade) é conhecido como colesterol “ruim” porque, quando está elevado, favorece o depósito de gordura nas paredes das artérias. Em excesso, essas partículas podem atravessar a parede dos vasos, sofrer alterações e desencadear um processo inflamatório local. Com o passar do tempo, isso contribui para a aterosclerose, que provoca o estreitamento dos vasos e pode levar a infarto e AVC, conforme explica o patologista clínico Helio Magarinos, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica.

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Por que esse acúmulo ocorre com mais facilidade em algumas pessoas? A saúde dos vasos sanguíneos desempenha um papel importante nesse processo. Fatores como tabagismo, obesidade, excesso de gordura visceral, diabetes e hipertensão podem gerar um ambiente inflamatório que danifica a parede dos vasos e facilita a ação do colesterol, de acordo com a médica Elaine Coutinho, integrante da diretoria do departamento de aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

O HDL (Lipoproteína de Alta Densidade) é chamado de colesterol “bom”. Ele atua como uma espécie de “vassoura”, removendo o excesso de gordura dos tecidos e das paredes das artérias e levando-o de volta ao fígado para ser metabolizado e eliminado, afirma Magarinos.

O perigo silencioso e como identificar

Níveis elevados de colesterol ruim não provocam sintomas imediatos, sendo detectados apenas por meio de exame de sangue. Por isso, é necessário realizar um lipidograma, que mede os níveis de gordura no organismo.

Como interpretar os resultados? O HDL ideal é aquele acima de 40 mg/dL. Já o LDL tem metas que variam conforme o perfil de saúde do paciente. Como base:

  • Baixo risco: abaixo de 115 mg/dL
  • Alto risco: abaixo de 70 mg/dL
  • Risco muito alto: abaixo de 50 mg/dL

No exame também aparece o colesterol total, que serve apenas como um indicador geral. Para uma interpretação correta, o resultado deve ser analisado de forma individualizada, levando em conta:

  • As quantidades específicas de LDL e HDL
  • Os níveis de triglicerídeos
  • O risco cardiovascular geral do paciente (presença de diabetes, hipertensão, tabagismo ou histórico familiar)

Influência da alimentação

Sim, mas de forma parcial. Cerca de dois terços do colesterol são produzidos pelo próprio fígado, enquanto aproximadamente um terço vem da alimentação, segundo Marcello Bertoluci, diretor do departamento de Dislipidemia e Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Mesmo não sendo o único fator determinante, a comida tem um papel relevante, pois alguns alimentos podem alterar os níveis de colesterol no sangue.

Aumenta o colesterol ruim: O principal fator associado ao aumento do LDL é o consumo excessivo de gorduras saturadas, presentes principalmente em produtos de origem animal e ultraprocessados, como:

  • Carnes e embutidos: carne vermelha, carne suína e produtos processados, como salame e salsicha
  • Leite e derivados: queijos amarelos, creme de leite e manteiga
  • Frituras em geral

Melhora o colesterol bom: O consumo baseado no padrão mediterrâneo pode contribuir. São recomendados alimentos ricos em fibras e fitosteróis, além de:

  • Azeite de oliva
  • Aveia
  • Grãos
  • Sementes
  • Nozes e outras oleaginosas

“Mesmo assim, a resposta à alimentação é individual e deve ser avaliada em conjunto com o risco cardiovascular e os resultados dos exames”, afirma Bertoluci.

O papel da genética

Não. Em muitos casos, há forte influência genética. Por isso, algumas pessoas podem apresentar níveis elevados mesmo mantendo hábitos considerados saudáveis. Há situações em que a genética tem um papel predominante, como no caso da hipercolesterolemia familiar, uma condição em que alterações genéticas dificultam a remoção do LDL da circulação e podem levar a níveis muito elevados de colesterol desde a infância, explica Bertoluci. Nesses casos, é recomendado acompanhamento médico para um diagnóstico preciso e, quando necessário, o uso de tratamento medicamentoso.

Por que perdemos o apetite conforme envelhecemos? A fome pode diminuir devido a mudanças hormonais, perda de olfato e paladar.

Todo desconforto com leite é intolerância à lactose? Nem sempre. Pode ser alergia à proteína do leite de vaca e uma possível sensibilidade a um peptídeo formado durante a digestão.

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Redação
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