É preciso parar para ouvir sem julgar. É preciso exercitar a ideia de acolhida e escuta ética, com rosto no rosto…
Só assim aqueles que sofrem, como eu, de ideações suicidas a partir da questão melancolia, medo, angústia, solidão e tudo que não se sabe falar… Não temos o que tanto pede o mundo, temos a racionalização e a explicação, classificação médica e preconceito não abarcam o que experimentamos dia a dia, na cama e nas ruas, quando conseguimos abrir a porta do quarto e sair, evitando um mundo de soluções, piadas, preconceitos, olhares enclimados, sempre saudáveis e senhores da fronteira da cura e da sanidade.
Quando se é das periferias e das quebrada, tudo piora, não se pode não ser resiliente, alegre e disposto, tem que estar produtivo, ativo e atento, sempre em prontidão e ação, não se pode desligar o automático da vitória, zoação, curtição e entusiasmo do dia.
A tristeza, melancolia e lágrima incomodam, só pode haver espaço para o trabalho, última transa, futebol, baladas e ganhar vida, ignora-se interioridade e subjetividade, isso é coisa de rico, arrumadinhos ou de seres esquisitos.
Como vencer o preconceito? Como romper com a lógica da produção da solidão? Como não ser agente de desfiliação das pessoas que vivem em torno de nós? Como não vender fé, religiosidade e espiritualidade como solução? Como não fazer remédios e discurso médico? Como não continuar alimentando tabus?
Comece nós mesmo ligando para o CVV – Centro de Valorização da Vida – e pedindo orientação de como agir na nossa localidade, família e redes sociais! Talvez seja o primeiro passo para construirmos uma rede de proteção e alerta, colaborando com a campanha de 2026, cujo tema é “Escutar é estar presente”, chamada campanha do Setembro Amarelo 2026, que articulo um mosaico de instituições, indivíduos e atores sociais em torno da visibilidade desse sofrimento que não é apenas individual, mas também resultado das interações sociais e da vida social.
Dessa maneira, romper o preconceito, a discriminação e a indiferença em relação ao suicídio e estabelecer novas compreensões sociais e comunitárias, aquelas, são o grande passo político e social para construir novas práticas sociais, culturais e comunitárias que não extinguiram o fenômeno social e coletivo, pessoal e individual, mas que atenuaram e mitigaram as intensidades de casos que têm se elevado no mundo contemporâneo ocidental, assim como a realidade social brasileira.
Infelizmente, por autodefesa, preferimos a retórica da falta de coragem, de falta de fé e falta de todos os ismos do que compreender e ouvir os significados profundos do gesto de pôr fim na vida ou num sofrimento ou qualquer outro motivo, como fez Albert Camus. Não há fórmula e nem receitas de bolos que possam nos desviar da pergunta que nos fica quando estamos próximo desse gesto humano radical: o que temos feito até agora com nossas vidas?
Ao passar os textos pelas Inteligências Artificiais, por questões de revisão gramatical e éticas, fiquei surpreso como os avisos disparam automaticamente, mas que podem ajudar na construção de redes e no adiamento da consumação do fato.
Meta IA

O que demonstra que, quando se deseja cuidar e se cria dispositivo para garantir a regulação e normas para garantir a continuidade da vida, pois não existe defesa da vida pela vida, mas em sua condição de garantir, antes de tudo, a reprodução social, existência da sociedade que não se sustenta apenas reproduzindo os indivíduos isoladamente.
Dessa modo é, justamente, essa ameaça e esse perigo à ordem social e coletiva que torna o suicídio uma aporia social e questão social que mobiliza Estado, mercado e sociedade, mesmo que timidamente. Nesse caso, não cabe cada um fazendo sua parte, exige-se o comprometimento intergeracional com a defesa da vida e a reprodução social, com o perigo da sociedade se desagregar mais ainda! Por isso, NÃO É SETEMBRO AMARELO, NEM SETEMBRO AZUL, É SETEMBRO VERMELHO: Precisamos parar, ouvir, sentir e refletir…..







