O café, uma das bebidas mais consumidas no mundo, vem acumulando evidências científicas a favor da saúde do coração. Levantamentos recentes indicam que o consumo moderado de cafeína pode estar relacionado a um menor risco de problemas cardiovasculares, como infarto, AVC e insuficiência cardíaca. A ingestão de até 400 mg de cafeína por dia é considerada segura para a maioria dos adultos, quantidade equivalente a cerca de três a cinco xícaras de café de 240 ml.
Quem mantém esse padrão de consumo apresenta menor risco de desenvolver doença arterial coronariana, fibrilação atrial e hipertensão, segundo os dados analisados. Outra pesquisa reforça esse cenário, mostrando que décadas de estudos com milhões de participantes apontam benefícios amplos do café para a saúde. O consumo moderado, normalmente de três a cinco xícaras por dia, está associado a maior longevidade e à redução dos riscos de doenças cardíacas, derrame, diabetes tipo 2, doenças respiratórias e declínio cognitivo. Os ganhos aparecem ainda na disposição para atividade física, na função pulmonar e na clareza mental, sempre dentro de um consumo moderado.
Um estudo identificou reduções significativas no risco de doença coronária, insuficiência cardíaca congestiva e AVC entre quem bebe café moído, instantâneo ou descafeinado. Um dado chamou atenção quando o assunto é arritmia. O consumo de quatro a cinco xícaras diárias de café moído com cafeína reduziu o risco de batimentos irregulares em 17%, enquanto o café descafeinado não trouxe o mesmo efeito protetor.
Essa relação entre café e arritmia também apareceu em um ensaio clínico com pacientes que tinham fibrilação atrial persistente após cardioversão, procedimento que restaura o ritmo cardíaco normal. Um grupo manteve o consumo habitual de café, outro ficou em abstinência total. Após seis meses, a recorrência da arritmia foi menor entre quem continuou bebendo café, 47% contra 64% no grupo que evitou a bebida por completo, uma redução de cerca de 39% no risco entre os consumidores moderados.
Existe uma ressalva importante. O risco cardiovascular ligado à cafeína tende a aparecer em situações de consumo excessivo, principalmente quando o café se combina com bebidas energéticas, suplementos pré-treino e álcool, fontes concentradas de estimulantes. Além disso, a resposta à cafeína varia de pessoa para pessoa, já que fatores genéticos influenciam a velocidade com que o organismo a metaboliza.
A recomendação geral é manter o consumo dentro dos limites considerados seguros e observar a reação individual, sobretudo para quem tem histórico de problemas cardíacos ou sensibilidade à cafeína. Boa parte dessas pesquisas tem caráter observacional, o que significa que apontam associação, não uma relação direta de causa e efeito.







