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Uma criança ou jovem morreu a cada 4,4 segundos em 2021

Novas estimativas divulgadas pelo Grupo Interagencial das Nações Unidas para Estimativa da Mortalidade Infantil apontam que, globalmente, 5 milhões de crianças morreram antes de seu quinto aniversário. Outros 2,1 milhões de crianças, adolescentes e jovens entre cinco e 24 anos perderam a vida em 2021.

Em um relatório separado também divulgado nesta terça-feira, o grupo constatou que 1,9 milhão de bebês nasceram mortos durante o mesmo período. Ao todo, isso representa uma morte a cada 4,4 segundos.

Mãe segura a filha de 18 meses em São Tomé e Príncipe.

© UNICEF/Vincent Tremeau

Mãe segura a filha de 18 meses em São Tomé e Príncipe.

Acesso equitativo à saúde

As agências da ONU afirmam que muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas com acesso equitativo e cuidados de saúde maternos, neonatais, adolescentes e infantis de alta qualidade.

A diretora da Divisão de Análise de Dados, Planejamento e Monitoramento do Fundo da ONU para Infância, Unicef, destacou que todos os dias, pais e mães “enfrentam o trauma de perder seus filhos e filhas”.

Vidhya Ganesh afirma que as perdas são evitáveis e que é possível progredir com vontade política mais forte e investimento direcionado para o acesso equitativo aos cuidados de saúde primários para todas as mulheres e crianças.

Taxa de mortalidade caiu

Os relatórios mostram alguns resultados positivos, com o menor risco de morte em todas as idades globalmente desde 2000. A taxa global de mortalidade de menores de cinco anos caiu 50% desde o início do século, enquanto as taxas de mortalidade de crianças mais velhas, de adolescentes e de jovens caíram 36%. Já a taxa de natimortalidade diminuiu em 35%.

Segundo o estudo, isso pode ser atribuído a mais investimentos no fortalecimento dos sistemas primários de saúde para beneficiar mulheres, crianças, adolescentes e jovens.

No entanto, os avanços abrandaram significativamente desde 2010, e 54 países não atingirão a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para a mortalidade de menores de cinco anos.

O levantamento alerta que se não forem tomadas medidas rápidas para melhorar os serviços de saúde, quase 59 milhões de crianças, adolescentes e jovens morrerão antes de 2030. Cerca de 16 milhões de bebês nascerão mortos no período.

Local de nascimento

O diretor de Saúde Materna, do Recém-Nascido, da Criança e do Adolescente e do Envelhecimento da OMS afirma que é “injusto” que as chances de sobrevivência de uma criança possam ser moldadas apenas por seu local de nascimento, e que existam desigualdades tão grandes em seu acesso a serviços de saúde vitais

Anshu Banerjee acrescenta que crianças em todos os lugares precisam de sistemas de saúde primários fortes que atendam às suas necessidades e às de suas famílias, para que, onde quer que nasçam, “tenham o melhor começo de vida e esperança para o futuro”.

As crianças continuam se defrontando com chances de sobrevivência extremamente diferenciadas dependendo de onde nasceram, com a África ao sul do Saara e a Ásia Meridional arcando com o fardo mais pesado, mostram os relatórios.

África e Ásia

Embora a África Subsaariana tenha apenas 29% dos nascidos vivos no mundo, a região foi responsável por 56% de todas as mortes de menores de cinco anos em 2021 e a Ásia Meridional por 26% do total.

As crianças nascidas na África ao sul do Saara estão sujeitas ao maior risco de morte infantil do mundo – 15 vezes maior do que o risco de crianças na Europa e na América do Norte.

As mães nessas duas regiões também sofrem a perda dolorosa de bebês natimortos em uma taxa excepcional, com 77% de todos os natimortos em 2021 ocorrendo na África Subsaariana e na Ásia Meridional.

Quase metade de todos os natimortos aconteceu na África ao sul do Saara. Nessa região, o risco de uma mulher ter um bebê natimorto é sete vezes mais provável do que na Europa e na América do Norte.

Direito aos cuidados básicos

O diretor global de Saúde, Nutrição e População do Banco Mundial e também diretor do Mecanismo de Financiamento Global, Juan Pablo Uribe, afirma que “por trás desses números estão milhões de crianças e famílias sem direito básico à saúde”.

Para ele, é necessário vontade política e liderança para o financiamento dos cuidados de saúde primários, “que é um dos melhores investimentos que os países e os parceiros de desenvolvimento podem fazer”.

O acesso e a disponibilidade de cuidados de saúde de qualidade continuam a ser uma questão de vida ou morte para as crianças em todo o mundo. A maioria das mortes de crianças ocorre nos primeiros cinco anos. Metade delas ocorre no primeiro mês de vida.

Para esses bebês mais jovens, o parto prematuro e as complicações durante o trabalho de parto são as principais causas de morte: mais de 40% dos natimortos ocorrem durante o processo. A maioria dos óbitos é evitável quando as mulheres têm acesso a cuidados de qualidade durante a gravidez e o parto.

Para as crianças que sobrevivem após os primeiros 28 dias, doenças infecciosas como pneumonia, diarreia e malária representam a maior ameaça.

Covid-19

Embora a Covid-19 não tenha aumentado diretamente a mortalidade infantil, com as crianças enfrentando uma probabilidade menor de morrer da doença do que os adultos, a pandemia pode ter aumentado os riscos futuros para sua sobrevivência.

Em particular, os relatórios destacam as preocupações com as interrupções nas campanhas de vacinação, nos serviços de nutrição e no acesso aos cuidados primários de saúde, que podem comprometer sua saúde e bem-estar por muitos anos.

Além disso, a crise de saúde alimentou o maior retrocesso contínuo nas vacinações em três décadas, colocando os recém-nascidos e as crianças mais vulneráveis em maior risco de morrer de doenças evitáveis.

Estimativas futuras

Os relatórios também observam lacunas nos dados, que podem minar criticamente o impacto de políticas e programas destinados a melhorar a sobrevivência e o bem-estar na infância.

O diretor da Divisão de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, John Wilmoth, afirmou que embora as novas estimativas destaquem o notável progresso global desde 2000 na redução da mortalidade entre crianças menores de cinco anos, ainda há grandes diferenças entre países e regiões.

Ele também destaca a África Subsaariana afirmando que somente melhorando o acesso a cuidados de saúde de qualidade, especialmente na época do parto, será possível reduzir essas desigualdades e acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças em todo o mundo.

*Com reportagem da Unicef no Brasil

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