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Europa e Ásia Central sem tratamento para maioria que precisa de reabilitação de saúde

Um novo relatório divulgado, nesta terça-feira, pelo Escritório Regional da OMS para a Europa alerta que a maioria dos 394 milhões de europeus, quase metade da população na região, que vivem com um problema de saúde, não conta com o tratamento necessário.

Segundo a OMS, na faixa da terceira idade e com envelhecimento veloz, há um aumento significativo no número de pessoas com doenças crônicas.

Viena recebe encontro sobre direitos humanos na Europa.

Foto: Unsplash/Jacek Dylag

Reabilitação aumenta a qualidade de vida

O relatório mostra que a maioria que necessita desses serviços não está recebendo os cuidados. Um total estimado de 49 milhões de anos de vida saudável perdidos devido a uma condição de saúde que requer reabilitação.

A falta de conscientização sobre os benefícios da reabilitação está entre os principais motivos dessa necessidade não atendida na Europa e na Ásia Central. Com esse tipo de cuidado, há um aumento na qualidade de vida, limitada pelo envelhecimento, condição de saúde, lesões e traumas.

Algumas das principais barreiras ao acesso das pessoas à reabilitação incluem pouca consciência do que é reabilitação, como funciona e seus benefícios.

Idosos também enfrentam dificuldades relacionadas à idade, incluindo isolamento ou desafios físicos.

© UNHCR/Anastasia Vlasova

Falta de pessoal

Além disso, uma grave escassez de profissionais impede as pessoas, em algumas partes da Europa, de obter os cuidados necessários. O relatório destaca que há 12 vezes menos fisioterapeutas, 141 vezes menos terapeutas ocupacionais e seis vezes menos profissionais de próteses e órteses em países de renda média do que em países de renda alta.

Na região como um todo, algumas das condições mais comuns que levam à necessidade de reabilitação incluem dor lombar, fraturas, perda auditiva e visual, assim como acidente vascular cerebral e demência.

Como essas condições afetam a vida das pessoas, incluindo a capacidade de trabalhar, os países enfrentam custos de milhões de dólares devido à falta de produtividade econômica e ao aumento da pobreza e do desemprego.

Cuidados básicos

A OMS ressalta que a reabilitação deve estar disponível em ambientes de atenção primária à saúde, onde a maioria dos casos de doenças crônicas são gerenciados, e em ambientes comunitários populares, como casas e escolas.

A diretora de Políticas e Sistemas Nacionais de Saúde, do Escritório Regional da OMS para a Europa explica que “a integração dos serviços de reabilitação nos cuidados de saúde primários é importante porque muitas pessoas que poderiam precisar de serviços de reabilitação podem nunca entrar no sistema hospitalar e podem necessitar de uma reabilitação de longo prazo perto de casa e da comunidade local”.

Para Natasha Azzopardi Muscat, em muitos países europeus, os serviços de reabilitação são prestados em instalações de nível secundário e terciário situadas em áreas urbanas, deixando as áreas rurais e remotas mal atendidas.

De acordo com a OMS, as evidências mostram que as atividades de reabilitação são econômicas e ajudam a alcançar e manter os melhores resultados de outras intervenções de saúde.

“A Covid longa” chamou a atenção para a reabilitação, já que os países estão reconhecendo a gravidade da condição e o papel fundamental que esses serviços podem desempenhar

“A Covid longa” chamou a atenção para a reabilitação, já que os países estão reconhecendo a gravidade da condição e o papel fundamental que esses serviços podem desempenhar

Diminuição de custos com saúde

A agência da ONU destaca que houve progressos nos últimos anos. Em alguns países, a reabilitação já está disponível em situações de emergência e existem ações concretas para apoiar as pessoas com cuidados de longa duração.

Além disso, “a Covid longa” chamou a atenção para a reabilitação, já que os países estão reconhecendo a gravidade da condição e o papel fundamental que esses serviços podem desempenhar no apoio às pessoas que vivem com ela.

A pesquisa mostra que a reabilitação tem o potencial de evitar hospitalizações dispendiosas e reduzir o tempo gasto em um hospital, diminuir reinternações e diminuir os riscos de complicações devido a problemas de saúde. Ao melhorar as funções físicas, mentais e sociais e a capacidade de participar da vida cotidiana, a reabilitação reduz os custos dos cuidados contínuos e ajuda os indivíduos a participarem da educação e do emprego.

Recomendações da OMS Europa:

  • Priorizar a reabilitação e reconhecê-la como um serviço de saúde essencial para milhões de pessoas, incluindo durante emergências.
  • Integrar a reabilitação em todos os níveis do sistema de saúde: primária, serviços comunitários, hospitais e centros especializados. Todos devem ter acesso à reabilitação de que necessitam.
  • Apoiar o desenvolvimento de uma força de trabalho de reabilitação multidisciplinar adequada e bem treinada, para prestar esses serviços.

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