Durante esta semana, mais precisamente no dia 6 de maio, foi celebrado o Dia Mundial do Acordeon. Essa data é para celebrar um instrumento caracterizado por sua versatilidade. Ele está presente no tango, na música clássica, no pop e, claro, no nosso forró e na música nativista.
No Brasil, esse instrumento é tão apreciado que temos duas datas em nosso calendário para celebrá-lo. Além do dia 6 de maio, comemoramos também o Dia Nacional do Sanfoneiro em 26 de maio.
Como nosso país é muito grande, esse instrumento formado por palhetas e caixas harmônicas recebe um nome diferente de acordo com a região do Brasil em que estamos. Pode ser chamado de sanfona, gaita ou mesmo acordeon.
Hoje vamos descobrir como esse som tão característico das festas juninas e dos festivais de música pelo mundo surgiu. Tudo começou na China, cerca de 3.000 anos antes de Cristo com um instrumento chamado Tchneng (ou Cheng). O seu visual era rústico com palhetas de bambu que vibravam com a ajuda dos dedos, usando a boca como caixa acústica. Era basicamente o “vovô” chinês do nosso acordeon.
Chinese Sheng Performance by 黃俊毓 @ Yuan-Yun Chinese Chamber Orchestra
A mudança aconteceu em 1829, quando o mestre austríaco Cyrill Demian resolveu alterar o design original e patenteou o “acordeon diatônico” em Viena, no dia 6 de maio. Ele usou como base as ideias de Friedrich Buschmann, inventor da gaita de boca. A grande diferença veio quando Demian trocou o sopro humano por um fole manejado pelas mãos.
Com o passar do tempo e o avanço da tecnologia, surgiram modelos eletrônicos com funções e timbres que os acordeons acústicos não conseguiam produzir. Para muitos é mais um teclado com fole do que um acordeon mesmo.
ACORDEON ROLAND FR4X – ANALISE + TIMBRES
No Brasil o acordeon chegou junto com os imigrantes. Em 1846, a família de Pedro Roth Birkenfeld desembarcou em São Leopoldo (RS). O filho dele, Jacob Roth, de apenas 11 anos, já era o responsável pela música do navio durante a travessia, animando os passageiros com um acordeon que ganhou de Natal.
A gaita só foi difundida por aqui depois da Revolução Farroupilha, com uma grande onda de imigrantes alemães. Outro momento chave aconteceu em 1851, com os soldados alemães conhecidos como “Brummer”. Quando a guerra acabou, esses veteranos se transformaram em músicos itinerantes, levando o som para casamentos e baladas da época.
Não demorou para começarmos a fabricar nossos próprios acordeons. No Sul, descendentes de italianos como Túlio Veronese e o casal Arpini-Savoia deram o pontapé inicial e foram seguidos por nomes de peso:
Em 1923, Alfred Hering fundou a marca de acordeons em Blumenau (SC), que depois foi comprada pela gigante alemã Hohner. Mais de uma década depois, em 1939, surgiu em Banto Gonçalves uma marca que virou sinônimo de qualidade absoluta no Brasil. Trata-se da Todeschini, muito apreciada e utilizada por acordeonistas profissionais de todos os estilos.
Independente do seu estilo preferido, o acordeon é a prova de que a tecnologia não abala a paixão despertada pelo acordeon. Enquanto esse sentimento durar, muita gente ainda vai arrastar o pé nos forrós e bailes pelo Brasil e pelo mundo.







