Provavelmente, você já ouviu alguém se referir a uma pessoa como ‘neurodivergente’ e talvez não saiba o que isso significa. Vou abordar o tema brevemente aqui, sem querer esgotar o conteúdo.
‘Neurodivergente’ foi um termo empregado na tese da socióloga Judy Singer, australiana e ativista autista, que introduziu a definição da palavra. Foi popularizado por um jornalista e nos anos 2000 o conceito foi ampliado. A ideia era dar conhecimento de que diferenças neurológicas existem como variações naturais e não como doenças.
Neurodiversidade é um conceito utilizado para se referir à diversidade de funcionamento do cérebro humano, diferentemente do que se entende como ‘padrão’ e que pode mudar o modo da comunicação e comportamentos diante de desafios.
Não significa dizer que pessoas neurodivergentes são incapazes, pois a sua condição biológica, as características comportamentais, cognitivas ou sensoriais, precisam ser avaliadas, em cada caso. Essa perspectiva visa desmistificar preconceitos, focando no potencial de cada pessoa.
Atualmente, a neurodiversidade abrange um amplo espectro de transtornos do neurodesenvolvimento, indo além de pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), dislexia e outros (Araujo, Silva, Zanon, 2023).
Nos casos de transtornos como TEA e TDAH, a detecção dos sinais, o diagnóstico precoce, uma avaliação clínica minuciosa e multidisciplinar por profissionais como: psiquiatra, neurologista, fonoaudiólogo e psicólogo contribuem para um acompanhamento adequado e específico em cada caso, baseado no conhecimento científico, na ética e individualidade do atendimento.
Políticas públicas como ‘Diretrizes – Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo (2014)’ e materiais como ‘Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (Associação Brasileira do Déficit de Atenção) informam e fortalecem a luta pela inclusão, na prática, reforçando e reconhecendo as diferenças como parte da diversidade humana.
O que se sabe
TEA: dificuldades de interação social, comunicação e padrões repetitivos.
TDAH: desatenção, impulsividade e hiperatividade (combinados ou não).
Em geral, ambos podem apresentar dificuldades que afetam no cotidiano, mas por diferentes razões, inclusive em fases diferentes da vida.
Algumas características
- Comunicação: dificuldade na compreensão de metáforas, ironias ou linguagem figurada.
- Linguagem não verbal: dificuldade para interpretar expressões faciais, gestos e tom de voz.
- Processamento auditivo: maior sensibilidade a sons, ambientes ruidosos e com muitos estímulos.
- Fala: pausas, repetições ou pouco foco nas conversas em razão de ruídos ambientais.
- Dificuldade para se comportar de acordo padrões.
Você deve estar pensando que conhece muitas pessoas que seriam consideradas neurodivergentes, não é?
Cuidado! Não é bem assim. O diagnóstico é muito importante, mas pode levar algum tempo para ser concluído e somente os especialistas avaliam cada caso, pois as diferenças são variações naturais do funcionamento cerebral.
Ações positivas nesses casos
- Ambientes inclusivos como locais de trabalho e espaços públicos.
- Estratégias pedagógicas personalizadas.
- Terapia fonoaudiológica com recursos específicos para o desenvolvimento de uma comunicação funcional.
- Acessibilidade comunicacional: aceitação de diferentes formas de interação e materiais em formatos acessíveis (pictogramas e legendas).
- Campanhas educativas para combater estigmas.
Tanto no TEA quanto no TDAH o mais importante é a possibilidade, em ambos os casos, dos indivíduos poderem desenvolver suas habilidades, superar disfunções e conquistar autonomia funcional. Assim, contribuem com soluções inovadoras e criativas nas suas funções.
Conclusão
A pessoa neurodivergente tem uma maneira de pensar e agir que não impede a sua participação plena, em todas as áreas. Importante a valorização do potencial de cada indivíduo, que deve ser compreendido e respeitado.
Antes de focar na dificuldade olhe para a pessoa!







