Na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), a deputada estadual Camila Valadão (PSOL) votou contrária à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 04/2026, chamando atenção para os efeitos sobre o orçamento. Ela também apresentou uma indicação que pede transporte intermunicipal gratuito no segundo turno das eleições.
Camila Valadão questiona ampliação das emendas parlamentares no orçamento estadual
Com a aprovação da PEC 04/2026 pela Ales, foram instituídas as emendas parlamentares impositivas no Espírito Santo, com percentual fixado em 1,55% da Receita Corrente Líquida (RCL). Esse montante poderá chegar a cerca de R$ 408,56 milhões por ano, acréscimo estimado de R$ 318,56 milhões em comparação com o orçamento de 2025.
Ao registrar o voto contrário, Camila Valadão afirmou que o crescimento expressivo da gestão individual de recursos pelos deputados pede cautela e um debate minucioso sobre as prioridades do estado. Para a parlamentar, a participação do Legislativo na definição do orçamento é legítima, mas deve acontecer sem prejudicar a capacidade do Governo do Estado de planejar e executar políticas públicas estruturantes.
Os defensores da proposta aprovada argumentam que as emendas impositivas garantem a descentralização dos investimentos e o atendimento direto das demandas regionais dos municípios. A deputada, por sua vez, ponderou que, embora reconheça a importância de destinar verbas a projetos locais, o tamanho da ampliação aprovada exige limites e transparência para manter o equilíbrio da gestão pública.
Solicitação de transporte gratuito para o segundo turno das eleições no ES
Em outra frente, a parlamentar protocolou a Indicação nº 1588/2026, na qual solicita ao Governo do Estado a gratuidade no transporte público intermunicipal nos dias 24 e 25 de outubro, quando ocorre o segundo turno eleitoral.
A proposta se baseia nos dados de abstenção do primeiro turno no Espírito Santo, que ficaram em 21,39%, o equivalente a mais de 638 mil eleitores ausentes. O índice superou o registrado nas eleições gerais de 2022, com municípios do interior alcançando taxas elevadas, como Conceição da Barra (28,86%), Pedro Canário (28,67%), Pancas (27,17%) e Sooretama (26,79%).
Na justificativa da indicação, é apontado que o preço das passagens rodoviárias pode se tornar uma barreira financeira para trabalhadores, estudantes e pessoas em situação de vulnerabilidade que precisam se deslocar até os municípios de votação. A medida pretende estender ao âmbito intermunicipal a gratuidade já garantida na Grande Vitória pelo Sistema Transcol e pelo Aquaviário, e a solicitação aguarda análise e deliberação do Executivo.
Trajetória de Camila Valadão na Ales e a continuidade no mandato após 61.501 votos
Nascida em Serra (ES), Camila Valadão é assistente social formada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com mestrado e doutorado em Política Social. Sua atuação pública teve início no movimento estudantil e em conselhos de direitos humanos, e sua trajetória política se consolidou quando foi eleita a primeira vereadora negra de Vitória, em 2020, e depois conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), em 2022.
Nas eleições de outubro de 2026, a parlamentar recebeu 61.501 votos (2,85% dos votos válidos), resultado que comemorou e agradeceu publicamente em suas redes sociais ao renovar o mandato. A votação expressiva a consolida como a mulher mais votada da história do Legislativo capixaba e assegura a continuidade de suas pautas no Palácio Domingos Martins nas votações de 2026 e na próxima legislatura. Atualmente presidente da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos, Camila Valadão mantém o foco em políticas públicas para assistência social, defesa das mulheres e combate às desigualdades no estado.
Ponto de vista
O acompanhamento das votações orçamentárias e das proposições legislativas na Assembleia Legislativa do Espírito Santo evidencia a importância do debate cívico sobre a gestão do dinheiro público e a garantia do exercício da cidadania. O equilíbrio entre o fortalecimento das prerrogativas do Parlamento e a preservação da capacidade de planejamento do Poder Executivo é essencial para o desenvolvimento sustentável do estado. De igual modo, a busca por mecanismos que reduzam barreiras ao voto fortalece os pilares democráticos. Informação isenta e contextualizada sustenta o acompanhamento consciente das ações dos representantes públicos.







