Nos últimos dias, modificações em sistemas de smart TV ganharam espaço nas redes sociais. Consumidores têm adotado launchers alternativos porque as interfaces nativas podem acumular poluição visual, sobretudo por causa dos diversos espaços publicitários. O assunto tem chamado atenção principalmente no X/Twitter.
Os projetos circulam nas redes e mostram agentes como o Claude Code sendo empregados para executar alterações no Android TV. Os usuários exibem telas iniciais próprias, com widgets de clima e calendário; alguns vão além e incluem controles de automação de dispositivos de casa inteligente.
O vibe coding, ou “programação intuitiva”, é um modelo de desenvolvimento com inteligência artificial no qual a pessoa descreve a um chatbot o que pretende criar, e a tecnologia gera o código a partir dessas instruções. O termo se popularizou em 2025 e vem sendo um dos principais focos da indústria de IA nos últimos meses.
Paralelamente, desenvolvedores profissionais demonstram preocupação com aplicativos criados sem atenção a barreiras de segurança.
IA altera a interface das TVs
Um dos relatos foi publicado pelo desenvolvedor Ryan Doyle, que recorreu ao Claude Code para modificar a TV e desativar anúncios e serviços de rastreamento. Ele também criou um protetor de tela personalizado que reúne previsão do tempo, calendário, dados de faturamento do próprio negócio e outras funções.
Outro projeto, chamado cleanyourtv, surgiu depois que o desenvolvedor encontrou um anúncio na tela inicial da Xiaomi Mi TV usada pelos pais antes da abertura da Netflix. O projeto foi publicado no GitHub.
Depois de receber informações sobre o modelo da TV, o Claude Code acessou o aparelho pela rede local e desativou 25 pacotes instalados pela Xiaomi. O projeto também substituiu a tela inicial por um launcher personalizado, com uma interface mais simples. Outros usuários vêm explorando as ferramentas para criar funções adicionais, como representações 3D da própria casa com controles de sistema de iluminação.
Como as interfaces são instaladas?
As alterações aproveitam ferramentas que já existem no Android. Os projetos usam principalmente o Android Debug Bridge (ADB), recurso de desenvolvimento que permite enviar comandos a dispositivos Android. O usuário precisa habilitar as opções de desenvolvedor e a depuração da TV.
Em seguida, ferramentas de IA podem executar comandos pelo terminal para alterar configurações e gerenciar os apps instalados. Por depender do ADB, o método é usado sobretudo em aparelhos com Android TV ou Google TV, presentes em marcas como Sony, TCL, Xiaomi, Hisense e Philips. Vale lembrar que a Play Store já oferece launchers para quem deseja apenas mudar a interface sem passar por todo esse processo.
Sistemas proprietários, como o Tizen, da Samsung, e o webOS, da LG, não oferecem o mesmo método de acesso. Ainda assim, alguns usuários já começaram a divulgar soluções próprias para esses sistemas.
Google facilita testes de apps pessoais no Android
A disseminação desses apps criados com ajuda da IA ocorre enquanto o Google também começa a facilitar a execução de programas desenvolvidos para uso pessoal. Uma nova função da Google Play permite executar apps criados pelo próprio usuário com o Google AI Studio em dispositivos Android sem publicá-los na loja.
De acordo com o TechCrunch, esses apps ficam disponíveis em uma área chamada Sua biblioteca pessoal, associada à conta Google do desenvolvedor. Eles não aparecem nas buscas nem nas páginas públicas da loja.







