Guiar meninos na direção de uma sociedade mais justa e afetuosa pode parecer uma tarefa complicada. Surgem questionamentos: como dar o primeiro passo? Quais palavras usar? O assunto não é inapropriado para a idade? Nesse contexto, a literatura oferece figuras masculinas que, de modo suave e estimulante, ajudam a construir referências mais equilibradas para encarar a vida adulta, abrindo um caminho natural para que pais e mães tratem do assunto.
Nos livros, temas como respeito, emoções, igualdade racial e de gênero permitem que as crianças formem um repertório mais sadio para si mesmas e para o próximo. Isso acontece porque, de acordo com o filósofo Renato Nogueira, conhecido por discutir educação, afetividade e afroperspectivismo, frases comuns como “homem não chora”, já que precisam ser fortes e invencíveis como super-heróis, acabam gerando uma sobrecarga emocional.
“Essas ideias não precisam ser ensinadas de forma explícita. Por exemplo, se um menino não brinca de boneca ou tem contato restrito com brinquedos que estimulam a afetividade, perde-se a oportunidade de desenvolver um repertório emocional mais amplo”, explica Nogueira, que também assina “O Aniversário do João”, um livro infantil que mostra como objetos como uma boneca podem contribuir para a formação de hábitos saudáveis na vida adulta.
“Precisamos de personagens masculinos frágeis, humanos; em vez do herói invulnerável, vale a pena apostar em homens que não são apenas alvos de cuidado, mas agentes que cuidam.”
Explorando temas como medo, laços familiares, sentimentos e diversidade, a Vida Simples selecionou oito títulos que podem facilitar esse percurso de forma descomplicada, transformando a experiência em uma memória calorosa e prazerosa:
‘O aniversário do João’
Autor: Renato nogueira
João está prestes a fazer sete anos e pede de presente um boneco, que mais tarde ganha o nome de Dudu. Durante a comemoração, eles se divertem bastante, mas também colaboram com a arrumação da casa depois. Toda essa vivência de aprendizado sobre o cuidado, tanto ao zelar pelo boneco quanto pelo lar, prepara o protagonista para se tornar um adulto independente, sensível e cooperativo.
Editora: HarperKids, 40 páginas.
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‘Minha dança tem história’
Autora: Bell Hooks
Bibói adora correr, saltar e dançar, mas também curte abraços, batalhas de rima e instantes de tranquilidade. Ao lado do ilustrador Chris Raschka, a autora e ativista bell hooks examina com delicadeza as complexidades da identidade e da masculinidade, alargando as possibilidades sobre o que é ser um menino.
Editora: Boitatá, 32 páginas.
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‘O pênalti’
Autora: Geni Guimarães
Após duas décadas sem publicar, Geni Guimarães, aclamada autora e vencedora do Prêmio Jabuti de 1990 com “A Cor da Ternura”, lança “O Pênalti”. A trama acompanha os irmãos Kamau e Kaiodê, que disputam em times adversários o campeonato interclasses, gerando um sentimento de conflito interno. Ainda assim, a ligação entre eles é marcada por afeto, admiração e respeito. A sutileza com que a autora desenvolve esse núcleo familiar naturaliza as relações afetivas entre pessoas negras, historicamente estereotipadas na literatura e no cinema.
Editora: Malê, 60 páginas.
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‘Terrível’
Autor: Alain Serres
Terrível é um lobo de pelagem preta que amedronta todos os habitantes da floresta e até sua própria família. Certo dia, enquanto ele dorme, seus filhos resolvem enterrar as botas e luvas pretas que o pai usava e que o deixavam ainda mais apavorante. Ao fazer isso, eles descobrem algo surpreendente: por baixo dos acessórios, o pai é cheio de cores. Envergonhado, ele tenta esconder suas cores em várias tentativas frustradas. A história desmonta o mito do lobo mau e convida a pensar sobre como as pressões sociais levam à criação de armaduras que ocultam a verdadeira natureza, além de ressaltar a relevância do acolhimento para a demonstração das vulnerabilidades.
Editora: Livros da Raposa Vermelha, 32 páginas.
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‘Olho-d’água’
Autor: Marcelo Tolentino
Um grupo de amigos é inseparável, até que uma briga provoca o distanciamento entre eles. Entre as crianças, uma delas começa a chorar sem parar. Os pais tentam de tudo: levam o filho ao médico, ao mecânico e até a uma mergulhadora, mas nada funciona. Novas amizades aparecem, mas nada é igual — e a vida segue, como um rio, sempre adiante.
A narrativa reflete, com delicadeza, sobre as perdas e tristezas inevitáveis da existência, acompanhada por ilustrações em aquarela que enriquecem ainda mais a história. Na contracapa, um texto do psicanalista Christian Dunker afirma: “Olho-d’água é metáfora, é também imagem corrente para chorar, ainda que lágrima não seja água, ainda que olho não seja açude que transborda”.
Editora: Boitatá, 48 páginas.
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‘O coelho escutou’
Autor: Cori Doerrfeld
De que forma acolher a dor de alguém? Na trama, Victor vê a torre que construiu desabar depois que alguns pássaros passam no meio dos blocos de brinquedo. Um por um, diferentes animais aparecem tentando auxiliar: sugerem conversar, gritar, consertar, mas nada disso parece realmente confortar o menino.
Até que o coelho chega e, sem dizer uma palavra, se aninha ao lado do garoto, oferecendo exatamente o que ele necessitava: companhia. Com ilustrações suaves e uma história simples e impactante, o livro proporciona um abraço silencioso e um lembrete sobre empatia, presença e reconstrução.
Editora: Nanabooks, 36 páginas.
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‘Homens choram’
Autor: Joan Turu
Nil é um menino que deseja compreender como pode se tornar um homem. Por isso, questiona o que isso significa: não ter medo? Não chorar? Ser durão? Nessa jornada de autoconhecimento, ele observa as figuras masculinas ao seu redor, seja na televisão, na política ou nas revistas, mas, ao imitar esses comportamentos, começa a se sentir mal. A obra destaca a relevância de ser autêntico e de expressar os sentimentos, inclusive chorando sempre que preciso.
Editora: Reco-reco, 40 páginas.
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‘Coisa de menino’
Autora: Pri Ferrari
A publicação indaga, de modo descontraído, o que é “coisa de menino” e desmonta estereótipos e preconceitos ligados ao assunto. Afinal, ele pode gostar de futebol, querer ser um super-herói ou astronauta e, ainda assim, brincar de boneca, apreciar cozinhar e fazer aulas de dança. Para a autora, o propósito é que meninos tenham liberdade para fazer da vida o que bem entenderem.
Editora: Companhia das Letrinhas, 32 páginas.
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