Filme “A Metamorfose”, dirigido por Enzo Rodrigues e estrelado por Daniel Bones, retorna ao Cine Jardins após sessão lotada e promete cutucar o público com uma releitura intensa e contemporânea
Se você já acordou num dia qualquer se sentindo meio “inseto social” tentando pagar boleto… parabéns, você já entendeu metade de Kafka. A outra metade chega agora com tempero capixaba. O clássico “A Metamorfose”, do escritor Franz Kafka, ganha uma adaptação ousada no cinema local e retorna às telas de Vitória após casa cheia na estreia. Spoiler emocional: não tem final feliz, mas tem reflexão que gruda mais que chiclete em sapato.
Dirigido por Enzo Rodrigues, o longa transporta a angústia existencial de 1915 para o Espírito Santo contemporâneo. A história segue Gregório, um trabalhador comum que acorda transformado em um inseto. Sim, literalmente. E não, isso não é metáfora de segunda-feira… ou talvez seja.
A produção é assinada pela Utopia Filmes e contou com apoio da Política Nacional Aldir Blanc, reforçando o crescimento do cinema independente no estado. Segundo o diretor, a ideia foi “pensar o Kafka” para os dias atuais, mantendo a essência, mas dialogando com novas pressões sociais.
O protagonista ganha vida (ou seria outra coisa?) na pele de Daniel Bones, que descreve o papel como um divisor de águas. “Foi algo complexo, de muito estudo, com um texto forte e pesado”, afirma. E dá pra acreditar: interpretar alguém que deixa de ser humano sem virar caricatura é tipo andar de corda bamba emocional. O ator compartilhou uma breve “divulgação do filme em suas redes sociais”:
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O elenco ainda reúne nomes como Lívia Del Caro, Joelma Neves e Joca Simonetti, formando um mosaico de relações que se desfazem quando a utilidade social entra em crise. Como já discutido por críticos da literatura e psicologia social, a obra de Kafka continua atual ao tratar da desumanização no trabalho e da fragilidade dos vínculos sociais. Segundo análises acadêmicas amplamente difundidas, como as da Universidade de Oxford sobre literatura moderna, Kafka expõe “a alienação do indivíduo diante das estruturas sociais”, algo que segue mais vivo que grupo de família no WhatsApp.
O filme marca o quinto longa de Enzo Rodrigues e reforça uma tendência: o Espírito Santo está deixando de ser coadjuvante e assumindo papel principal no cinema autoral brasileiro. Produções independentes, antes vistas como “cinema de guerrilha”, agora ganham corpo, público e circuito.
E o público respondeu. A primeira exibição lotou, provando que existe, sim, apetite por histórias densas, estranhas e… com insetos gigantes. “A Metamorfose” não é só um filme. É um espelho meio torto. Ele pergunta, sem pedir licença: o que sobra quando você deixa de ser útil? Pesado? Um pouco. Necessário? Muito. No fim das contas, talvez a maior transformação não seja a do personagem… mas a de quem assiste. E se sair do cinema pensando na vida, relaxa: é efeito colateral, não precisa de receita.
Serviço
Evento: Exibição do filme “A Metamorfose”
Data: 24 de abril de 2026
Horário: 20h30
Local: Cine Jardins, Jardim da Penha, Vitória ES
Classificação: 14 anos
Ingressos: via Sympla
Instagram: @filmesutopia








