O cantor e compositor Chico Chico é uma das atrações do Música Urbana Festival, que ocorre no dia 25 de abril, em Brasília. No evento, ele compartilha a programação com artistas como Capital Inicial e Nando Reis. Francisco Ribeiro Eller, seu nome de registro, é filho de Cássia Eller e do baixista Tavinho Fialho. Ainda que carregue uma herança significativa, ele tomou uma decisão definida sobre sua identidade profissional: preferiu não adotar Eller, o renomado sobrenome materno.
Em conversa, o músico relata que a seleção do nome artístico aconteceu de maneira espontânea. Chico esclarece que a expressão sempre foi um apelido utilizado por quem é próximo: “No início nem refleti muito, apenas comecei a usar. Acabou permanecendo porque é um nome que me deixa mais confortável, mais próximo da minha essência. Não houve um planejamento elaborado”.
O legado familiar e a liberdade artística
Sobre o reconhecimento da mãe, Chico admite que ser filho de uma artista icônica facilita o acesso, mas emprega essa condição para assegurar sua autonomia:
“Eu admito que isso é real, seria esquisito discordar. Porém, ao mesmo tempo, o que faço com essa situação é buscar ser leal ao que penso. Não adianta muito ter portas abertas se eu não tiver desejo de estar naquele lugar. Por isso, procuro selecionar bem as direções, colaborar com pessoas que respeito e criar a música que desejo criar”.
Da geografia para a música
A jornada profissional de Chico nem sempre esteve voltada para os palcos. Ele chegou a estudar Geografia, mas a música prevaleceu. Em 2018, decidiu que era o momento de viver de suas composições. O artista explica que não houve um clique instantâneo: “Fui notando que era o que mais tinha significado para mim, o que eu tinha vontade de fazer diariamente. Em certo ponto, ficou complicado conciliar com outras atividades e resolvi tentar levar isso a sério”.
O sucesso inesperado nas redes
Recentemente, ele viu seu nome ganhar destaque nas redes sociais depois que sua versão de Menino Bonito, de Rita Lee, viralizou. Chico revela que não antecipava uma repercussão tão grande: “Gravei porque gosto muito da canção e queria interpretá-la do meu modo. Essas situações escapam um pouco do controle”.
Mesmo com o êxito online, o cantor preserva uma relação moderada com o ambiente digital. Ele observa o que ocorre, mas procura manter uma certa reserva. “Tenho uma ligação um tanto afastada. Utilizo, acompanho determinados assuntos, mas tento não me influenciar excessivamente por isso. Prefiro concentrar-me no trabalho em si”, assegura.
Um álbum mais sóbrio e direto
Essa atitude mais contida também se manifesta em seu trabalho mais recente, o álbum Let It Burn / Deixa Arder, lançado no final do ano passado. Durante a produção, o artista relata que atravessou um processo de introspecção e busca por sobriedade.
“É um disco mais objetivo, mais despojado, sem muitas camadas. Eu quis apresentar as músicas mais expostas, sem disfarces. Tem relação com este momento de observar as coisas com mais nitidez, sem tantas distrações. As letras e os arranjos seguem essa mesma direção”.
A expectativa para o show em Brasília
Sobre a apresentação no Música Urbana Festival, o artista afirma que o público da capital pode aguardar uma experiência orgânica. O repertório combina as faixas do novo disco com canções de outros períodos e algumas releituras. De acordo com ele, o palco traz uma renovação constante: “É um espetáculo que se transforma bastante ao vivo, nunca se repete da mesma forma”.







