O criador de conteúdo digital Matheus Silva Mesquita resgatou um animal silvestre no jardim de sua casa. O profissional notou a presença de um espécime diferente na grama. A ação impediu que o réptil tivesse contato com os sete gatos domésticos que vivem no local, assegurando a segurança do bicho.
Conhecido como Biomesquita, o biólogo e educador ambiental costuma gravar seu dia a dia e produzir materiais educativos. Durante a vistoria matinal de rotina no quintal, ele encontrou o pequeno visitante. O terreno faz divisa com uma mata fechada e uma área de morro, o que facilita o surgimento de fauna silvestre.
A primeira impressão que o animal dá a quem o vê está ligada ao seu corpo comprido, cilíndrico e sem patas visíveis, com um movimento que lembra o de uma cobra. Essa semelhança muitas vezes faz as pessoas confundirem e reagirem com medo ou agressividade.
Mesquita usou o vídeo para explicar as diferenças anatômicas entre o animal e uma serpente venenosa. O bicho encontrado no quintal é da espécie conhecida como licranço.
“Pra você que não conhece, esse aqui é o licranço e ele é um lagarto. Isso mesmo, um lagarto sem patas”, disse o biólogo na gravação.
Em uma explicação detalhada, o especialista mostrou sinais biológicos de que os ancestrais desse lagarto tinham membros articulados.
Segundo o influenciador, o bicho tem características evolutivas muito específicas. “Na verdade, ele tem duas patinhas vestigiais aqui em algum lugar do corpo. Isso aqui são dois vestígios de que esse cara evolutivamente em algum momento teve patas”, apontou Mesquita.
Mecanismos de defesa e comportamento do licranço
O biólogo também falou sobre dois fatores biológicos importantes para identificar o licranço. O primeiro é a presença de pálpebras funcionais, uma característica que as cobras não têm.
“Isso porque ele tem pálpebras, cê tá vendo? Ele consegue piscar o olho. Cobras não piscam o olho”, detalhou o profissional.
A segunda característica é a capacidade de autotomia caudal, um mecanismo de sobrevivência quando o réptil se sente ameaçado por predadores.
“Ele ainda faz a autotomia, que é soltar a cauda, um pedacinho da cauda para conseguir se defender quando o predador ataca, que aí o predador fica ali entretido com a cauda e ele mete o pé, mesmo sem ter pé”, descreveu.
“Essa estratégia dele é parecida com aquela da lagartixa, que quando você enche o saco da lagartixa ela solta o rabo e fica se mexendo ali e tal, enquanto isso a lagartixa vai embora”, comparou o biólogo para facilitar o entendimento do público.
Durante o resgate, o animal chegou a morder o dedo do influenciador, deixando uma pequena marca superficial. Mesquita aproveitou para reforçar que a espécie não tem glândulas de veneno nem dentes inoculadores, sendo inofensiva para humanos.

“Aí pra quem tá se perguntando se esse carinha aqui é um animal peçonhento, ele não é. Ele não tem nenhum tipo de veneno”, garantiu.
Depois de verificar a saúde do réptil, Mesquita o soltou na mata nos fundos da residência. O habitat natural desses lagartos inclui camadas de grama, solo úmido e folhagem densa, onde encontram boas condições para se desenvolver.
O licranço tem um papel essencial no ecossistema local. O biólogo explicou que eles se abrigam na vegetação rasteira por causa de seus hábitos alimentares.
“Eles gostam de morar entre essa parte de grama assim, essa camada de grama, porque eles comem muitos animaizinhos que moram por aqui, principalmente aracnídeos e insetos”, destacou.
O vídeo alcançou 567 mil curtidas e 4.621 comentários.
“Certamente eu iria achar que era uma cobra”.
“Eu já vi na internet, conheci como ‘cobra de vidro’ mas sei que é um lagarto”.
“nossa eu aprendo tanto com seus vídeos”.
De acordo com a National Geographic Brasil, o licranço também é chamado de cobra-de-vidro. Os animais adultos geralmente têm coloração marrom-acinzentada a marrom-acobreada, enquanto os jovens exibem tons dourados ou prateados pálidos com lados escuros e coloração ventral, conforme o banco de dados Animal Diversity Web da Universidade de Michigan. Entre seus predadores estão cobras e aves de rapina. Ao soltar a cauda, a estrutura pode se regenerar com uma cor diferente da original.






