Às vésperas do festival de Yulin, conhecido por fomentar o consumo de carne canina na China, um matadouro que já havia abatido mais de 15 mil animais de estimação encerrou suas atividades no último domingo (7). Conforme informações do jornal South China Morning Post, o proprietário atuava no setor há quase duas décadas e abastecia restaurantes e mercados que participavam do evento anual.
O episódio reacendeu o debate sobre a controversa prática de consumo de carne de cães no país. De acordo com a organização Humane World for Animals, aproximadamente 10 milhões de cães e 4 milhões de gatos são abatidos anualmente na China.
Roubo de animais e condições cruéis
A entidade destaca que grande parte do comércio de carne de cão e gato no território chinês está associada a atividades ilícitas, como furto de animais domésticos e captura de cães e gatos de rua. Quando levados aos matadouros, esses bichos geralmente são amontoados em gaiolas e transportados por longos períodos. Muitos não sobrevivem ao trajeto, morrendo por desidratação, ferimentos, asfixia ou insolação.
Para a Humane World for Animals, o fechamento do matadouro no sul da China representa uma “conquista monumental” e sinaliza uma nova abordagem em relação ao abate de animais de estimação no país. Isso porque a decisão partiu do próprio dono do estabelecimento, que firmou um acordo com ativistas.
O proprietário, inclusive, revelou que, graças à iniciativa, recebeu apoio para abrir outro negócio. “Sem o suporte desse programa, eu não teria conseguido realizar essa mudança de vida, mas acredito que muitos outros locais de abate de cães em Yulin optariam por fechar se tivessem esse tipo de assistência”, afirmou o homem, que não foi identificado.
“Nossa expectativa é que as autoridades de Yulin enxerguem o que os formuladores de políticas na Coreia do Sul já perceberam: é possível desmantelar esse comércio em cooperação com os comerciantes, e não em conflito, desde que eles recebam suporte na transição para um novo modelo. Este pode ser apenas o primeiro de muitos casos semelhantes”, diz comunicado da Humane World for Animals.






