A piodermite, uma infecção bacteriana cutânea, surge quando o equilíbrio da barreira da pele é rompido, permitindo que bactérias, geralmente do gênero Staphylococcus, se multipliquem de forma excessiva na região.
“Raramente a consideramos a ‘vilã’ isolada. Encaramos a doença como um indicativo de que algo não vai bem com a imunidade ou com a barreira cutânea. As causas primárias frequentemente envolvem alergias, como a dermatite atópica, presença de ectoparasitas, distúrbios endócrinos ou mesmo umidade excessiva após o banho e enxágue inadequado do shampoo”, esclarece Analice Cardoso Munhoz, médica-veterinária com especialização em Dermatologia da WeVets.
Os sintomas mais comuns da condição incluem: pápulas (pequenas elevações vermelhas na pele), pústulas (elevações com pus), colarinhos epidérmicos (descamação em formato circular), crostas e áreas sem pelo (alopecia multifocal).
“O primeiro sinal percebido pelo tutor será o prurido e o eritema. Antes mesmo do surgimento de feridas, a pele do animal geralmente exala um odor mais intenso e característico, lembrando ‘queijo’ ou ‘azedo’. Em seguida, é comum notar o pet lambendo regiões específicas, como as patas e o abdômen”, relata Analice.
A médica-veterinária acrescenta que, quando a causa subjacente não é tratada, a doença torna-se altamente recorrente. Portanto, se o animal apresenta o problema todos os meses, a questão não é a bactéria em si, mas sim uma alergia ou uma doença hormonal que está facilitando sua entrada.
Além disso, a piodermite pode ser confundida com sarna, dermatofitose ou até mesmo com doenças autoimunes. “A diferença entre essas patologias costuma ser visual e sutil, por isso o diagnóstico clínico nunca deve se basear apenas na observação a olho nu”, alerta a especialista.
Cães são os mais acometidos
A doença é mais prevalente em cães do que em gatos, devido à anatomia da pele canina. “O estrato córneo, que é a camada protetora dos cachorros, é mais frouxo, e eles não possuem o tampão folicular terminal que humanos e outros animais têm, o que facilita a invasão bacteriana nos poros”, explica a veterinária.
Entre os animais mais afetados pela enfermidade estão os idosos, devido ao declínio natural da imunidade e à maior ocorrência de doenças endócrinas, e cães de raças como Bulldog Francês e Inglês, Shih Tzu, Pug, West Highland White Terrier e Golden Retriever.
Diagnóstico e tratamento
Os exames realizados para diagnosticar a piodermite incluem a citologia de pele, onde uma amostra da lesão é coletada e analisada ao microscópio para identificar o tipo e a quantidade de bactérias, bem como a presença de células inflamatórias.
“Realizamos a cultura e o antibiograma após a confirmação, pela citologia, da existência dos microrganismos na lesão profunda. Além disso, fazemos a raspagem da pele para descartar ectoparasitas associados e o teste do pente fino, com o objetivo de verificar a presença de parasitas aderidos aos pelos”, detalha Analice.
Com um tratamento que já evoluiu consideravelmente, atualmente os profissionais priorizam a terapia tópica em vez de antibióticos sistêmicos, visando preservar a saúde do paciente e evitar a resistência bacteriana. “Indicamos banhos terapêuticos a cada sete dias com shampoos antissépticos, e sprays e mousses podem ser aplicados diariamente. Os hidratantes, que auxiliam na recuperação da barreira cutânea, devem ser utilizados quando a causa de base for a dermatite atópica”, conclui Analice.
Para prevenir a recorrência, é fundamental manter um controle rigoroso de pulgas, realizar o check-up dermatológico preventivo e cuidar da hidratação da pele do animal.
Perguntas frequentes sobre piodermite em cães e gatos
O que é essa doença em pets?
É uma infecção bacteriana da pele que ocorre quando há um desequilíbrio na barreira cutânea, permitindo a proliferação dos micro-organismos.
Quais são os principais sintomas da piodermite?
Os sinais incluem coceira, vermelhidão, odor forte, pápulas, crostas, descamação circular e falhas de pelo.
Como é feito o tratamento?
A abordagem envolve terapias tópicas, como o uso de shampoos antissépticos, sprays, mousses e a hidratação da pele.







