O turismo de negócios vive um período de forte expansão no Brasil e reafirma sua importância estratégica para a economia. Em março de 2026, o segmento alcançou um faturamento de R$ 1,47 bilhão, um crescimento de 31% quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, conforme dados da Abracorp. Esse resultado consolida uma trajetória de alta ao longo do primeiro trimestre, período em que o setor acumulou R$ 3,57 bilhões, um incremento de 12% na comparação anual.
Os números indicam não apenas uma recuperação após a pandemia, mas sim a consolidação de um novo patamar de operação, impulsionado pela retomada de atividades presenciais, pelo aumento de eventos corporativos e pela necessidade de encontros estratégicos entre empresas.
Aviação lidera expansão
O principal motor desse crescimento é o transporte aéreo corporativo. No acumulado do trimestre, o setor movimentou R$ 2,16 bilhões, com avanço de 16,3%. Em março, o salto foi ainda mais expressivo: alta de 39%, totalizando R$ 899,7 milhões.
Esse desempenho acompanha o aumento da demanda por viagens a trabalho em rotas nacionais e internacionais, além da ampliação da malha aérea e da retomada de frequências por parte das companhias. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o Brasil registrou 25,2 milhões de passageiros no primeiro trimestre, um crescimento de 6,17%, com março superando pela primeira vez a marca de 8 milhões de viajantes em um único mês.
Esse cenário também reflete a reativação de centros econômicos e polos corporativos, que voltaram a concentrar reuniões presenciais, feiras e congressos.
Hotelaria acompanha retomada do turismo
A hotelaria corporativa também registra um avanço consistente, embora em ritmo mais moderado. No primeiro trimestre, o setor faturou R$ 1,04 bilhão, um crescimento de 7,58%. Em março, o segmento somou R$ 401,7 milhões, com alta de 19%.
A taxa média de ocupação em hotéis de grandes centros já se aproxima dos níveis pré-pandemia, especialmente em cidades com forte atividade empresarial. Além disso, o ticket médio das diárias vem subindo, influenciado pela inflação do setor e pela maior demanda por serviços premium e infraestrutura voltada ao público corporativo.
Outro fator relevante é a profissionalização da gestão de viagens nas empresas, que passaram a investir em planejamento, tecnologia e controle de custos, aumentando a eficiência e a frequência dos deslocamentos.
Impactos na economia nacional
O avanço do turismo de negócios gera efeitos diretos e indiretos em diversos segmentos da economia. Além da aviação e hotelaria, áreas como transporte terrestre, alimentação, eventos e serviços especializados também são beneficiadas.
De acordo com o Banco Central do Brasil, os gastos de turistas estrangeiros no país somaram R$ 16 bilhões entre janeiro e março, alta de 12%. Parte desse volume está diretamente relacionada a viagens corporativas, especialmente em setores como tecnologia, agronegócio e indústria.
Especialistas apontam que o turismo corporativo tem maior valor agregado do que o de lazer, já que envolve gastos mais elevados por viajante e maior previsibilidade de demanda, o que contribui para a estabilidade do setor.
Goiás entra na rota corporativa
No Centro-Oeste, o crescimento do turismo de negócios também se reflete em mercados regionais. Em Goiânia, a expansão do agronegócio, da construção civil e do setor de serviços tem impulsionado a demanda por viagens corporativas, eventos e hospedagem.
A capital goiana vem se consolidando como um polo estratégico para feiras, encontros empresariais e negociações, especialmente por sua localização geográfica e infraestrutura urbana. Hotéis, centros de convenções e espaços para eventos têm registrado aumento na ocupação, enquanto o Aeroporto Santa Genoveva amplia sua relevância na malha aérea nacional.
Além disso, o crescimento de polos industriais e logísticos no interior de Goiás amplia o fluxo de executivos e investidores, fortalecendo a cadeia do turismo corporativo regional.
A tendência, segundo analistas, é de continuidade do crescimento ao longo de 2026, sustentada pela expansão econômica e pela consolidação do modelo híbrido de trabalho, que mantém a necessidade de encontros presenciais estratégicos.







