O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, defendeu nesta sexta-feira (11/09), durante o Fórum Empresarial do BRICS realizado em Nova Delhi, na Índia, uma maior aproximação entre os setores produtivos dos países que compõem o bloco como caminho para enfrentar o protecionismo.
“Em um momento em que a economia global está ameaçada pelo protecionismo, pela coerção econômica e pelas sanções unilaterais, aproximar os nossos setores produtivos é mais importante do que nunca”, declarou o chanceler na reunião.
Presença empresarial e complementaridade entre as economias
No fórum, ele destacou que o Brasil foi representado por altos funcionários de mais de 15 grandes empresas, o que classificou como “uma clara demonstração da nossa confiança na força do presente e do futuro da aliança entre o setor privado dos BRICS”.
“Nossas economias possuem pontos fortes vastos e complementares. Nossas nações estão em uma posição única para liderar um novo paradigma de desenvolvimento baseado em agricultura sustentável, manufatura avançada, energia renovável, bioeconomia e inteligência artificial”, completou.
O ministro das Relações Exteriores também mencionou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e observou que “os governos podem abrir portas e criar condições para alianças”, mas “investir e criar laços concretos” é “papel do setor privado”.
Abertura econômica e diversificação de alianças
Em meio à guerra comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da qual o Brasil é um dos alvos, Vieira enfatizou que Brasília optou claramente por “abrir sua economia e diversificar suas alianças”.
Assim, por meio do Mercado Comum do Sul (Mercosul), o país firmou acordos de livre comércio com três grandes parceiros em três anos e negocia em outras seis frentes; enquanto isso, no âmbito do BRICS, o comércio com seus membros ultrapassa um terço do total.
Ele explicou que, em 2024, o Brasil lançou sua reforma tributária mais ambiciosa para simplificar e modernizar o sistema, e que “não é coincidência que o Brasil tenha sido o terceiro maior receptor de investimento estrangeiro direto em 2025, com mais de US$ 77 bilhões”.
Acompanhado de seu homólogo Subrahmanyam Jaishankar, Vieira participou de uma reunião bilateral também nesta sexta-feira, na qual discutiram as relações Brasil-Índia e a pauta da Cúpula do BRICS, que ocorre neste fim de semana e deve incluir a guerra no Oriente Médio entre os temas principais.







