Análise: Mortal Shell II entrega soulslike desafiador, acessível e excelente

Diversos pontos que elogiei nas primeiras impressões, como a direção de arte e a jogabilidade, continuaram presentes, mas também percebi alguns problemas, entre eles a pouca variedade de armas, que serão comentados nesta análise.

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O Arauto e a sua missão sagrada

O jogo começa contando que, muito tempo atrás, um objeto despencou do céu e dele surgiu uma entidade que ficou conhecida como Mãe Umbral. Ela logo conquistou inúmeros seguidores, que passaram a considerá-la uma deusa. Certo dia, porém, uma entidade maligna começou a debilitar a figura divina e a corromper o mundo.

Diante do caos absoluto, a última esperança recai sobre o Arauto, uma entidade poderosa capaz de possuir as carcaças de guerreiros mortos. Representando o jogador, ele precisa explorar as terras devastadas em busca da fonte de poder da mãe dos seus Ovuns, que estão espalhados pelo mundo em posse de criaturas monstruosas.

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A demonstração havia me deixado empolgado com a parte narrativa, mas, depois de experimentar o jogo completo, a história acaba deixando de ser o foco e se torna mais dispersa. Para ser sincero, me lembrou a forma como a trama de Dark Souls é apresentada, com alguns elementos interpretativos e outros presentes nos detalhes ou nos diálogos com NPCs.

Fiquei com a impressão de que a história acabou virando um elemento secundário, pois, por exemplo, o objetivo principal, que é recuperar os ovos, nunca é explicado de maneira direta, porque a maior parte deles está com chefões específicos atrás de portões gigantes.

Em contrapartida, as carcaças ganham uma importância enorme na obra; cada uma das oito traz memórias sobre sua vida e uma parte delas contribui bastante para a trama, ajudando a compreender melhor a extensão do culto à Mãe Umbral e até onde os indivíduos estavam dispostos a ir por ela.

Paisagem sombria do mundo aberto de Mortal Shell II

Além disso, as lembranças, sempre representadas por flashbacks, revelam mais detalhes das personalidades de cada casca e de suas motivações, o que as ajuda a se tornarem carismáticas e únicas. Como tudo no jogo recebeu uma boa tradução em português, fica fácil entender os diálogos.

Eles são muito mais do que os olhos podem ver

Mas, se a trama acabou deixando a desejar para mim, sua jogabilidade segue excelente. Mortal Shell II é um soulslike rápido e cadenciado durante os combates. Podemos usar ataques fracos e fortes, que são mais rápidos ou lentos conforme a arma utilizada, e, como é comum no gênero, também é possível defender e esquivar.

Chefe do pântano em Mortal Shell II

Contudo, nesse ponto entra um dos diferenciais da obra: o jogo é bem acessível, oferecendo um vasto leque de defesas disponíveis, desde a clássica, em que você evita tomar dano a cada ação precisa executada, até o endurecimento, no qual o personagem se transforma em rocha, refletindo ataques.

Além disso, o título não possui barra de stamina, o que o torna uma experiência brutal e frenética. Os combates sempre têm bom ritmo, graças à mescla de atacar e usar alguma defesa no momento certo, para abrir a guarda do inimigo e executá-lo com uma finalização.

Carcaça do jogador em Mortal Shell II

A jogatina se torna ainda melhor graças às oito carcaças únicas, cada uma trazendo uma abordagem diferente para os confrontos. Por exemplo, Tiel, o ladino, consegue ficar invisível ao utilizar sua habilidade especial e também ao se esquivar na última hora. Com ele, os embates ficam mais voltados para atacar e fugir, de preferência com suas armas assinatura: o machado e a adaga.

Já Gragu, um clássico berserker, é um verdadeiro tanque, dando socos nos inimigos para arremessá-los ao longe e recebendo menos dano. E essas são apenas duas carcaças; cada um dos corpos oferece um leque de possibilidades diferentes. Em contrapartida, achei que a obra possui pouca variedade de armas.

Finalização em inimigo comum em Mortal Shell II

Ao todo, existem oito armas corpo a corpo, contando com espadas, machados e martelos; e a mesma quantia à longa distância, como escopetas e metralhadoras, embora elas tenham pesos diferentes e estratégias distintas de uso. Acredito que poderiam ter uma diversidade maior, mas, por outro lado, o leque de runas disponíveis para cada arma ajuda a amenizar essa falta de diversidade, deixando-as mais únicas graças às habilidades que vão ganhando.

Outro ponto que não me conquistou muito foram os chefões, pois não é que suas lutas sejam ruins ou careçam de desafio, mas a todo momento eu sentia que faltava algo neles, talvez visuais mais marcantes ou até mesmo alguma história para que fossem mais cativantes.

Lar, doce lar

Para finalizar, preciso falar sobre a base principal do Covil Lúgubre; o local não mudou nada comparado à sua versão disponível na demonstração gratuita. Seu visual continua tendo um charme único, mesclando paredes brancas e áreas com mata e cavernas.

NPC responsável pelas carcaças no Covil Lúgubre

Os NPCs que habitam lá são interessantes até certo ponto, principalmente pelas suas anatomias diferentes, como o mercador Merrick, que é extremamente alto para os padrões, a treinadora Genessa, com sua característica máscara dourada, e Zhirelle, uma verdadeira gigante que fica responsável por cuidar das cascas.

Infelizmente, senti que faltou algo mais marcante no local para ele ser mais chamativo, talvez desenvolver melhor os cultistas que ficam lá rezando para a tal divindade e oferecendo serviços, como lavar os pés do Arauto.

É aquele ditado: o segundo jogo é sempre melhor

Mortal Shell II é um soulslike excelente que entrega uma jogabilidade simples e brutal, com carcaças únicas que mudam a maneira de se jogar, e um mundo aberto sombrio com paisagens deslumbrantes. Entretanto, existe carência na diversidade de armas corpo a corpo e de longa distância; e, além disso, os mini-chefes serem adversários comuns também atrapalha um pouco a experiência.

Prós:

  • A história de cada casca é interessante e ajuda a revelar mais detalhes sobre o universo;
  • Cada casca possui habilidades únicas, diferenciando a maneira como se joga com elas;
  • Jogabilidade brutal e simples, tornando-se viciante conforme o jogador vai ficando mais forte;
  • Mundo aberto, com atividades de qualidade para fazer durante as explorações;
  • Chefes desafiadores e criativos de enfrentar;
  • Legendas em português.

Contra:

  • Baixa variedade de armas disponíveis, sendo apenas oito opções físicas;
  • Mini chefes são apenas cópias de inimigos comuns com visual diferente;
  • Mesmo sendo boas lutas, alguns chefes poderiam ter sido melhor trabalhados;
  • A narrativa até tem potencial, mas acaba ficando como elemento secundário, dificultando a compreensão de alguns detalhes importantes;
  • Mesmo os chefões sendo desafiadores, carecem de visuais mais chamativos que os tornem mais marcantes.

Mortal Shell II – PS5/XSX/PC – Nota: 8.5

Plataforma: PlayStation 5

Texto de análise redigido com cópia digital cedida pela Playstack

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