Quem vai construir o futuro? Tecnologia não substitui uma boa mão de obra

A construção está mudando — e o profissional também precisa mudar

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Nas últimas colunas, falamos sobre a dificuldade de encontrar mão de obra, a falta de novos profissionais entrando no setor e a importância de valorizar quem realmente sabe executar um bom serviço.

Para encerrar essa série, precisamos olhar para frente.

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A construção civil está passando por uma transformação. Novas ferramentas, equipamentos, materiais e tecnologias estão chegando aos escritórios e aos canteiros de obras.

Diante de tantas mudanças, surge uma pergunta inevitável:

Será que, no futuro, as máquinas vão substituir os trabalhadores da construção civil?

Provavelmente algumas atividades irão mudar bastante. Outras poderão exigir menos esforço físico e determinadas tarefas repetitivas poderão ser feitas com auxílio de máquinas.

Mas construir é muito mais do que repetir movimentos.

Tecnologia não levanta uma obra sozinha

Hoje já temos equipamentos capazes de realizar serviços que, décadas atrás, exigiam várias pessoas. Também temos máquinas de corte extremamente precisas, ferramentas a laser, sistemas de construção industrializada e até equipamentos capazes de imprimir partes de edificações.

A inteligência artificial também começou a participar desse processo, auxiliando profissionais no desenvolvimento de projetos, planejamento e organização de informações.

Tudo isso tende a crescer.

Mas existe uma diferença importante entre substituir uma tarefa e substituir uma profissão inteira.

Uma ferramenta pode tornar determinado serviço mais rápido. Porém, alguém precisa saber utilizá-la, interpretar o que está acontecendo e perceber quando alguma coisa não está funcionando corretamente.

E é justamente aí que o profissional continua sendo fundamental.

A obra real é diferente da tela do computador

No computador, tudo pode parecer perfeito.

Na obra, encontramos paredes existentes fora de alinhamento, terrenos com diferenças de nível, instalações antigas, medidas inesperadas e inúmeros outros desafios.

Quem trabalha diariamente na construção sabe que nem sempre aquilo que foi planejado acontece exatamente como imaginado.

É necessário observar, interpretar e encontrar soluções.

A tecnologia pode ajudar nesse processo, mas experiência e conhecimento continuam fazendo diferença.

Um profissional preparado não executa simplesmente uma tarefa. Ele entende o que está fazendo.

O trabalhador do futuro será mais tecnológico

Se algumas funções estão mudando, isso não significa necessariamente que irão desaparecer.

Significa que o profissional também precisará evoluir.

Imagine o pedreiro que, além da experiência prática, sabe utilizar equipamentos modernos de medição. Ou o eletricista que acompanha novas tecnologias de automação residencial. O instalador que aprende novos sistemas construtivos. O pintor que domina equipamentos capazes de aumentar sua produtividade.

A tecnologia pode transformar o trabalhador em um profissional ainda mais eficiente.

Por isso, talvez a discussão não deva ser “máquina contra trabalhador”, mas sim “trabalhador utilizando melhor a máquina”.

Menos esforço e mais conhecimento

Durante muito tempo, a construção civil foi associada principalmente ao esforço físico.

Essa realidade também pode mudar.

Equipamentos capazes de transportar materiais, realizar cortes e auxiliar atividades pesadas podem reduzir o desgaste do trabalhador.

Isso é positivo.

Se utilizarmos tecnologia para diminuir tarefas repetitivas e pesadas, o profissional poderá dedicar mais atenção às atividades que realmente exigem conhecimento, habilidade e tomada de decisão.

A modernização também pode contribuir para tornar a construção mais atrativa para as novas gerações.

Mas tecnologia exige qualificação

Quanto mais modernas ficam as ferramentas, maior se torna a necessidade de aprender.

Um equipamento avançado nas mãos de alguém que não sabe utilizá-lo pode não representar melhoria alguma.

Por isso, formação profissional será cada vez mais importante.

Cursos técnicos, treinamentos, capacitações e atualização constante precisarão fazer parte da rotina de quem deseja permanecer competitivo no mercado.

E isso vale para todos.

Do ajudante ao profissional especializado. Do técnico ao arquiteto e ao engenheiro.

A construção do futuro exigirá aprendizado contínuo.

Existe espaço para uma nova geração

A escassez de profissionais que discutimos nesta série também pode ser enxergada como oportunidade.

Se o mercado precisa de pessoas qualificadas e, ao mesmo tempo, novas tecnologias estão surgindo, existe espaço para uma geração diferente de trabalhadores da construção.

Profissionais que consigam unir experiência prática e conhecimento tecnológico poderão encontrar um mercado extremamente interessante.

Talvez o jovem que hoje não se imagina trabalhando em uma obra passe a enxergar esse setor de outra maneira quando perceber que o canteiro também está se tornando um ambiente de inovação.

Mas, para isso, empresas e profissionais precisam investir em treinamento e oferecer oportunidades para quem está começando.

A experiência também não pode ser perdida

Ao mesmo tempo em que precisamos preparar os jovens, existe outro patrimônio que merece atenção: o conhecimento dos profissionais mais antigos.

Décadas de experiência prática não podem simplesmente desaparecer quando esses trabalhadores deixarem a atividade.

Precisamos criar mais oportunidades para que esse conhecimento seja transmitido.

A tecnologia pode ensinar muita coisa, mas existem situações que somente anos de experiência conseguem mostrar.

O futuro da construção talvez esteja justamente nesse encontro:

a experiência de quem já construiu muito com a tecnologia de quem está chegando agora.

Quem vai construir o futuro?

Máquinas serão melhores. Projetos serão mais digitais. A inteligência artificial estará cada vez mais presente. Novos materiais e formas de construir certamente irão aparecer.

Mas ainda precisaremos de pessoas.

Pessoas capazes de interpretar, executar, solucionar problemas e transformar ideias em espaços reais.

Por isso, quando perguntamos quem vai construir o futuro, a resposta não está apenas nas máquinas.

Está na nossa capacidade de formar, valorizar e preparar novos profissionais.

Porque a tecnologia pode transformar a maneira como construímos.

Mas o futuro da construção continuará dependendo de quem souber construir com ela.

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Marcos Paulo Bastos
Marcos Paulo Bastos
Com 28 anos, é microempresário, CEO da Edificar Gestão em Projetos Civis, Técnico em Edificações (CRT-ES) e graduando em Arquitetura e Urbanismo. Com foco em temas como desenvolvimento urbano, arquitetura, projetos civis. Marcos busca trazer uma visão abrangente sobre o potencial transformador da arquitetura na vida das pessoas e na construção das cidades.

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