Após semanas detidos sob a custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), os pais de Kevin González, de 18 anos, conseguiram reencontrar o filho no México apenas um dia antes de seu falecimento. O adolescente morreu no domingo, dia 10, em Durango, no centro-norte do país, após uma longa batalha contra um câncer de cólon em estágio 4.
A situação do casal chamou a atenção de parlamentares democratas, médicos e ativistas de imigração nos Estados Unidos, que fizeram pressão para a libertação dos detidos, permitindo que acompanhassem o tratamento do filho. O reencontro ocorreu no sábado, dia 9, na residência da avó materna de Kevin, no México. Menos de 24 horas depois, o jovem veio a falecer.
Kevin, cidadão americano nascido em Chicago, recebeu o diagnóstico de câncer de cólon metastático em estágio 4 em janeiro. De acordo com a família, ele estava visitando parentes nos Estados Unidos quando começou a se sentir mal e iniciou o tratamento médico na cidade. Com a deterioração de seu estado de saúde e a falta de resposta às terapias, ele optou por retornar ao México para estar próximo de seus familiares.
Os pais do jovem, Isidoro González Avilés, de 48 anos, e Norma Anabel Ramírez Amaya, de 43, buscaram autorização para entrar legalmente nos EUA após descobrirem a piora da doença do filho. No entanto, o pedido foi rejeitado pelo Departamento de Segurança Interna americano devido a deportações e entradas ilegais prévias no país.
Diante da recusa, o casal tentou cruzar a fronteira sem permissão em abril, mas foi detido pelo ICE. Desde então, eles permaneciam em um centro de detenção enquanto Kevin fazia apelos públicos para revê-los antes de sua morte.
A situação comoveu políticos democratas de Illinois e do Arizona, além dos médicos que cuidavam de Kevin. Um documento assinado por profissionais do Centro Médico da Universidade de Chicago informava que o jovem “não tinha uma expectativa de vida longa” e solicitava uma liberação humanitária para a mãe.
Críticas à política de Trump
Na quinta-feira, dia 7, um juiz federal em Tucson ordenou a soltura do casal e determinou a aceleração do processo de deportação para o México. Segundo parentes, agentes do ICE escoltaram os dois até a fronteira, onde funcionários do consulado mexicano auxiliaram na organização de uma viagem emergencial para Durango.
Em declaração à imprensa americana, o pai do jovem descreveu o reencontro entre lágrimas. “Ajoelhei-me diante dele, pedi perdão se em algum momento o decepcionei e disse o quanto o amava”, relatou Isidoro.
A deputada democrata Delia Ramirez, que participou das articulações pela libertação, ressaltou que o caso vai além de disputas políticas sobre imigração. “Independentemente da sua opinião sobre imigração, nenhum pai ou mãe deixaria de fazer tudo o que pudesse para abraçar o filho uma última vez”, afirmou.
O congressista Jesús “Chuy” García, também democrata e natural de Durango, lamentou a morte do adolescente e criticou a rigidez das políticas migratórias norte-americanas. “Kevin e sua família mereciam ter tido mais tempo juntos”, declarou em comunicado. “Continuarei lutando por um sistema de imigração humano que trate todos com dignidade.”
O episódio ocorre em meio à política de endurecimento migratório adotada pelo governo Trump desde o início do segundo mandato presidencial, marcado por uma campanha de detenções e deportações em massa liderada pelo ICE. A história de Kevin passou a ser comparada à de Ofelia Torres, uma adolescente de 16 anos que faleceu em fevereiro vítima de câncer, após também pedir a libertação de seu pai, que estava detido pelas autoridades migratórias.







