sábado, 25 de maio de 2024

Nobel de Física de 2023 vai para trio que “abriu as portas para mundo dos elétrons”

O Prêmio Nobel de Física de 2023 foi dado aos criadores de experimentos com luz que capturam “os mais curtos dos momentos” e abriram uma janela para observar o mundo dos elétrons.

Os laureados são o francês Pierre Agostini, o húngaro-austríaco Ferenc Krausz e a francesa-sueca Anne L’Huillier. O trabalho deles desenvolveu uma maneira de criar pulsos de luz extremamente curtos, que podem ser usados para capturar e estudar processos rápidos que acontecem dentro dos átomos.

Os vencedores dividirão o prêmio no valor 11 milhões de coroas suecas (R$ 5 milhões). A Academia Real de Ciências da Suécia declarou que os experimentos dos três laureados produziram “pulsos de luz tão curtos que eles são medidos em attossegundos”.

Um attossegundo é um quintilionésimo de segundo — em ordem de grandeza, isso representa para um segundo aquilo que um segundo representa para a idade do Universo.

O trabalho do trio demonstrou que estes pulsos tão curtos — obtidos por máquinas de ultra-alta velocidade — podem ser usados para estudar como os elétrons se comportam.

Os elétrons são partículas dentro dos átomos que se movem incrivelmente rápido — em bilionésimos de segundo.

Antes das descobertas dos premiados com o Nobel de 2023, os elétrons pareciam manchas, mesmo com o uso dos microscópios mais avançados. Isso porque o movimento e o comportamento deles são rápidos demais.

Eva Olsson, presidente do Comitê do Nobel de Física, declarou: “Agora podemos abrir as portas para o mundo dos elétrons. A Física do attosegundo nos dá a oportunidade de compreender os mecanismos que são governados pelos elétrons”.

A “Física de attosegundos” avalia processos importantes dentro de átomos e moléculas ao utilizar um foco mais nítido. É provável que o desenvolvimento dessa área do conhecimento leve à criação de microscópios ainda mais precisos, a uma eletrônica muito mais rápida e a novos testes capazes de diagnosticar doenças numa fase mais precoce.

Pierre Agostini, Anne L’Huillier e Ferenc Krausz dividirão o prêmio – Foto: Divulgação

‘É incrível’

A professora L’Huillier, que trabalha na Universidade de Lund, na Suécia, é apenas a quinta mulher a ganhar um Nobel de Física.

Após ser anunciada como vencedora, e ainda parecendo um tanto atordoada com a notícia, ela discursou na conferência de imprensa realizada nesta terça-feira (3/10) na Academia Real de Ciências da Suécia. “É incrível”, disse ela.

“Não há tantas mulheres que recebem este prêmio — por isso ele é muito, muito especial”, disse a cientista.

L’Huillier explicou que o Comitê do Nobel ligou três vezes antes que ela atendesse o telefone.

“Eu estava dando aula”, relatou ela — L’Huillier ainda brincou que a última meia hora de aula, quando ela já havia descoberto ser uma das laureadas deste ano, foi “bastante difícil”.

O professor Pierre Agostini trabalha na Universidade do Estado de Ohio, nos EUA, e Ferenc Kraus realiza pesquisas no Instituto Max Planck de Óptica Quântica, na Alemanha.

O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, anunciado na segunda-feira (2/10), foi dado à dupla de cientistas que desenvolveu a tecnologia por trás das vacinas de mRNA contra a covid-19.

Os professores Katalin Karikó e Drew Weissman dividiram o prêmio.

Vencedores do Prêmio Nobel de Física nos últimos anos

  • 2022 – Alain Aspect, John Clauser e Anton Zeilinger pela pesquisa em mecânica quântica — a Ciência que descreve a natureza nas escalas menores;
  • 2021 – Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi, pelos avanços na compreensão de sistemas complexos, como o clima da Terra;
  • 2020 – Roger Penrose, Reinhard Genzel e Andrea Ghez, por trabalhos sobre a natureza dos buracos negros;
  • 2019 – James Peebles, Michel Mayor e Didier Queloz, por descobertas inovadoras sobre o Universo;
  • 2018 – Donna Strickland, Arthur Ashkin e Gerard Mourou, por estudos no campo da Física do laser.

*Com informações da BBC News

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