A Feijoada como Elo de Ancestralidade: Entre a História e o Sabor

Muito além de um ícone da culinária brasileira, a feijoada é um prato que serve como um documento histórico comestível. Ela carrega em seus ingredientes a memória de gerações e as complexas trocas culturais entre Brasil, África e Europa. Embora a influência portuguesa seja inegável, a feijoada ganhou alma e novos significados em solo brasileiro através da resistência e criatividade dos povos africanos escravizados.

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No livro Feijoada (Editora Pallas), a autora Sonia Rosa explora como essa receita se tornou um símbolo de identidade. Com o tempo, o feijão-preto se uniu ao arroz, à couve, à farofa e à laranja, consolidando o formato que conhecemos hoje. No entanto, essa tradição é fluida: ao cruzar o Atlântico de volta ou se adaptar em outras regiões, o prato se transforma. Em Angola, por exemplo, a feijoada assume uma identidade própria, incorporando frango, repolho e cenoura.

Memória e Resistência: O Papel do Instituto Pretos Novos

A conexão entre gastronomia e história torna-se ainda mais latente em datas como o 13 de maio, dia que marca a abolição oficial da escravidão no Brasil. Na Gamboa, Rio de Janeiro, o Instituto Pretos Novos (IPN) celebra seu aniversário preservando a memória sensível do período escravocrata e utilizando a cultura e a educação para valorizar a herança negra.

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Para Claudia Vitalino, historiadora e professora do instituto, as variações do prato narram as trajetórias de diferentes povos:

“Cada povo chama a feijoada da sua forma. […] Quando falamos da feijoada angolana, da Costa Verde ou moçambicana, falamos das tradições de cada povo. No Brasil, defendo a tese de que ela foi construída sob a ótica da escravização negra.”

Essa herança é celebrada no IPN não apenas em livros, mas na prática, através de oficinas gastronômicas e eventos como o Sarau dos Pretos Novos, onde a comida se une à música e à arte para manter viva a ancestralidade.

Aprenda a Receita: Feijoada Angolana e Farofa de Dendê

Inspirada nas lições de Claudia Vitalino, confira uma versão que une a tradição angolana ao toque brasileiro.

Ingredientes Necessários

Base e CarnesVegetais e TemperosAcompanhamento (Farofa)
500g de feijão (manteiga ou preto)4 cenouras em rodelas500g de farinha de mandioca
500g de pé de porco1/3 de repolho50g de bacon
200g de bacon1/2 maço de couveAzeite de dendê a gosto
1 chouriço e presuntoCebola e alho
2 coxas e sobrecoxas de frangoTomate (ou polpa), louro, azeite

Modo de Preparo

A Feijoada:

  1. Preparo Inicial: Deixe o feijão de molho e cozinhe-o. Lave bem as carnes salgadas e ferva-as separadamente para retirar o excesso de sal.

  2. O Refogado: Em uma panela grande, refogue o alho e a cebola no azeite. Adicione o tomate, o bacon, o chouriço e as carnes de porco cortadas.

  3. A Mistura: Junte a cenoura, o repolho e o feijão já cozido. Utilize um pouco da água do cozimento das carnes para dar sabor.

  4. Finalização: Cozinhe em fogo baixo por cerca de 1 hora, permitindo que o caldo engrosse e os sabores se harmonizem.

A Farofa de Dendê:

  1. Doure o bacon em uma frigideira. Adicione o azeite de dendê para que o bacon absorva o aroma e a cor característica.

  2. Adicione a farinha de mandioca aos poucos, mexendo sempre até que fique tostada e soltinha. Ajuste o sal e sirva com a feijoada e arroz branco.

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