Boris Becker faz duras críticas a Zverev e destaca influência da vida pessoal
O ex-número 1 do mundo e hexacampeão de Grand Slam não poupou palavras ao falar sobre seu compatriota Alexander Zverev, atual terceiro colocado no ranking mundial, que conquistou Roland Garros no último domingo — o primeiro título importante de sua trajetória.
“Depois da eliminação de Jannik Sinner, Sascha [apelido de Zverev] era o grande favorito. Ele enfrentou uma pressão imensa, mas lidou com ela de forma admirável ao longo de duas semanas”, iniciou Becker em sua participação na Eurosport Alemanha.
“Agora vem a questão: quem é Sascha Zverev, de verdade? Conhecemos o tenista, mas como ele é enquanto pessoa? Ele tem uma filha de 5 anos; que tipo de pai ele é? Quais são suas posições políticas? Como se comporta fora das quadras? Ele está lendo algum livro? Não sei se ele se sente à vontade nessa posição, mas não tem alternativa: agora será o centro das atenções, queira ou não”, declarou Becker, que venceu seu primeiro Grand Slam em Wimbledon 1985, aos 17 anos.
“O ponto é: como ele vai encarar isso? Ele vai se abrir um pouco e compartilhar suas paixões, gostos e hobbies? Ou prefere continuar sendo visto apenas como um atleta?”, continuou questionando.
“Sendo uma superestrela — e é isso que Sascha Zverev é agora no tênis — você não pode ignorar que sua vida privada existe. É preciso lidar com ela; não dá para manter tudo escondido e não revelar nada”, disparou.
“Acho que é necessário encarar o que já aconteceu de forma diferente. Ele só quer falar sobre temas com os quais se sente confortável, mas o mundo não funciona assim; ele é conhecido demais para isso”, prosseguiu o ex-tenista alemão, referindo-se à atual estrela do esporte em seu país, que nesta semana abandonou uma entrevista ao jornal L’Equipe após ser questionado sobre os casos de violência doméstica que teria cometido. Zverev afirmou ao repórter francês que ele sabia que o tenista era inocente, embora a justiça alemã não o tenha inocentado, tendo divulgado o encerramento do processo por agressão contra a ex-companheira, mãe de sua filha, após um acordo extrajudicial entre as partes.
Para Boris Becker, a vitória de Zverev em Paris é fundamental para construir uma imagem positiva junto ao público do país: “Claro que ele é um ótimo pai e um ótimo irmão, mas o público desconhece isso. Zverev precisa se abrir, e assim não será apenas respeitado na Alemanha, mas também amado. Neste momento, ele está no topo do Monte Everest e precisa aproveitar essa oportunidade, porque pode nunca mais voltar”.
Becker também criticou a comunicação de Zverev no idioma de seu país. Filho de russos, Zverev tem como língua materna o idioma da família, mas é alemão e, segundo o próprio compatriota, tem pouco contato com a mídia local.
“Acho que ele se sai muito melhor na mídia de língua inglesa do que na alemã. Em inglês, ele fala de forma encantadora e divertida, transmitindo uma simpatia incrível; mas, em alemão, há sempre um limite: duas ou três frases curtas e pronto. Principalmente em casa, Zverev vive um momento de entusiasmo sem precedentes em sua carreira. O primeiro passo é saber lidar com isso; depois, tudo o mais virá naturalmente”, finalizou.






