NBA The Run desperdiça potencial ao focar apenas no online

No início dos anos 2000, o universo dos jogos esportivos ganhou uma lufada de inovação com as edições Street das séries NBA, FIFA e NFL. Esses títulos incorporavam a essência das ruas, transportando as partidas para becos, quintais e até debaixo de viadutos. Qualquer muro se transformava em gol, qualquer tabela servia para um 3×3.

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Naturalmente, como toda tendência passageira, esse subgênero foi desaparecendo gradualmente, com algumas influências esporádicas, mas sem resgatar o antigo entusiasmo. NBA The Run até tenta reavivar um pouco dessa proposta, porém ainda não é suficiente para se firmar como herdeiro das quadras urbanas.

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Grandes estrelas em um rachão

NBA The Run adota o formato 3×3, permitindo selecionar entre algumas das principais estrelas atuais da NBA. A lista inclui:

  • Amen Thompson (Houston Rockets)
  • Anthony Davis (Washington Wizards)
  • Anthony Edwards (Minnesota Timberwolves)
  • Bam Adebayo (Miami Heat)
  • Cade Cunningham (Detroit Pistons)
  • Cooper Flagg (Dallas Mavericks)
  • Damian Lillard (Portland Trail Blazers)
  • Devin Booker (Phoenix Suns)
  • Donovan Mitchell (Cleveland Cavaliers)
  • Giannis Antetokounmpo (Milwaukee Bucks)
  • Ja Morant (Memphis Grizzlies)
  • Jalen Brunson (New York Knicks)
  • James Harden (Cleveland Cavaliers)
  • Jaylen Brown (Boston Celtics)
  • Jayson Tatum (Boston Celtics)
  • Joel Embiid (Philadelphia 76ers)
  • Josh Giddey (Chicago Bulls)
  • Kawhi Leonard (Los Angeles Clippers)
  • Kevin Durant (Houston Rockets)
  • Kyrie Irving (Dallas Mavericks)
  • Lamelo Ball (Charlotte Hornets)
  • Lebron James (Los Angeles Lakers)
  • Luka Doncic (Los Angeles Lakers)
  • Nikola Jokic (Denver Nuggets)
  • Paolo Banchero (Orlando Magic)
  • Shai Gilgeous-Alexander (Oklahoma City Thunder)
  • Scottie Barnes (Toronto Raptors)
  • Stephen Curry (Golden State Warriors)
  • Trae Young (Washington Wizards)
  • Tyrese Haliburton (Indiana Pacers)
  • Tyrese Maxey (Philadelphia 76ers)
  • Victor Wembanyama (San Antonio Spurs)
  • Zion Williamson (New Orleans Pelicans)

Quase todas as franquias atuais da liga contam com ao menos um representante, com exceção de Atlanta Hawks, Brooklyn Nets e Sacramento Kings. Logo de início, não custaria nada incluir um atleta desses times para garantir representatividade completa. O jogo possui nomes de peso para essa função: Russell Westbrook, Domantas Sabonis e DeMar DeRozan (SAC); Nic Claxton e Michael Porter Jr. (BKN); e Jalen Johnson e C.J. McCollum (ATL), apenas para mencionar alguns. Se houve espaço para adicionar as camisas dessas equipes em atletas que as vestiram no passado, não faria mal incluir quem está atualmente em seus elencos.

Dito isso, a jogabilidade é bastante simplificada. Distante da complexidade das versões tradicionais, aqui temos apenas comandos de arremesso, passe e drible durante o ataque. Inclusive, o botão de arremesso também serve para bandejas e enterradas, sendo a distância da cesta o que define o movimento. Na defesa, é possível bloquear, tentar empurrar um adversário e mergulhar para recuperar a bola.

Embora o basquete de rua seja naturalmente mais simples, NBA The Run peca por não ter um ritmo mais ágil e dinâmico. Mesmo com atributos distintos, os jogadores parecem correr com o freio de mão acionado. Os movimentos são um tanto travados, e os dribles carecem de malícia.

Outro ponto frustrante é a falta de um medidor de arremesso. Existe um indicador de fôlego nos pés do jogador controlado, para limitar a corrida, acompanhado por um círculo que muda entre verde, amarelo e vermelho. O significado disso é enigmático, pois é perfeitamente possível acertar ou errar a cesta independentemente da cor exibida.

O aspecto interessante está nas regras de cada partida. Antes do início, uma roleta define a quadra e a forma de vitória. Existem combinações criativas, como apenas pontos dentro do garrafão, arremessos de longe valendo dois e de perto um, e o favorito até agora: arremessos de qualquer lugar valendo um, mas enterradas valendo três.

Sem conexão não há jogo, e não me refiro à cesta

NBA The Run requer conexão contínua para funcionar, mas nem sempre é possível encontrar oponentes online, evidenciando a ausência de um modo single player. Não há opção para partidas locais contra amigos no mesmo console, nem um modo de criação de personagem próprio para entrar em quadra, algo que faz falta em um título como este.

Então, o que resta? Apenas torneios, em três modalidades: a primeira é integrar um trio com outros dois jogadores encontrados aleatoriamente; a segunda é entrar em uma chave onde controlamos os três atletas do trio; a terceira é convidar amigos para formar a trinca em uma sala, compondo o trio que precisa vencer os playoffs das ruas. Sim, é apenas isso.

Partidas não faltarão, mas não da forma esperada. Apesar do suporte a crossplay e rollback netcode, foram frequentes as ocasiões em que meu time foi completado por dois jogadores controlados por inteligência artificial, que não é a melhor parceira: ora só arremessa, ora passa a bola mesmo quando você está a centímetros da cesta.

A proposta é que o jogador ganhe experiência e moedas para adquirir novos itens, como avatares, uniformes, enterradas, provocações e até versões mais jovens de algumas estrelas, como Luka Dončić no Dallas Mavericks, LeBron James no Cleveland Cavaliers e Kevin Durant no Seattle Supersonics.

A quantidade de moedas obtida por partida é reduzida em comparação ao preço dos itens interessantes. Portanto, é necessário jogar e vencer muitos torneios, e essa repetitividade elimina qualquer diversão que os modos de jogo poderiam oferecer.

Para não ser totalmente negativo, o estilo artístico cartunesco tem seu mérito e confere ao jogo uma atmosfera interessante. Também reconheço as diferenças visuais entre as versões mais jovens dos atletas. Há ainda os personagens originais do jogo, que podem não ser tão atraentes, mas uma dose de personalidade sempre é bem-vinda.

Air ball

NBA The Run tinha potencial para preencher um nicho esportivo que já foi popular e até mesmo servir como uma espécie de sucessor. No entanto, o foco excessivo em partidas online, com o uso de bots para completar o time, desperdiçou a oportunidade de criar algo divertido e grandioso.

Prós

  • A maioria das estrelas atuais da NBA está presente no jogo;
  • O estilo artístico combina bem com a estética urbana;
  • As regras aleatórias deixam as partidas imprevisíveis e levemente divertidas.

Contras

  • Não faria mal incluir alguém dos elencos atuais de Atlanta Hawks, Brooklyn Nets e Sacramento Kings, só para representar todos os times da NBA de maneira justa;
  • A jogabilidade é meio dura e falta algo que a deixe com cara do basquete de rua;
  • É necessário estar online o tempo todo e ainda assim o trio pode ser completado com bots;
  • Só dá para realizar torneios, sem opção de partidas simples ou multiplayer local;
  • A ausência de modos solo tira o apelo de jogar várias partidas para comprar itens com as moedas do jogo.
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Redação
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Redação representa o esforço colaborativo de toda a equipe de jornalistas e editores dO Capixaba. Por meio de um trabalho integrado e multidisciplinar, contextualizando as informações e acompanhando as novidades do momento com agilidade e rigor.

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