A correlação entre a educação profissional e a infraestrutura educacional

Um Estudo de Caso no Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) Campus Presidente Kennedy

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  • 1. Introdução

A busca por condições ótimas para o desenvolvimento da prática profissional — seja no âmbito industrial, comercial ou educacional — é um requisito imperativo para a excelência na formação técnica. A infraestrutura física não é apenas um suporte, mas um elemento integrante do processo de ensino-aprendizagem, influenciando diretamente o desempenho de docentes e discentes.

Repensar e ressignificar a aprendizagem técnica implica superar o modelo de ensino tradicional, baseado na simples reprodução de regras e métodos. Conforme destacam Moran, Masetto e Behrens (2000, p. 13):

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Educamos de verdade quando aprendemos com cada coisa, pessoa ou ideia que  vemos, ouvimos, sentimos, tocamos, experimentamos, lemos, compartilhamos e sonhamos; quando aprendemos em todos os espaços em que vivemos – na família, na escola, no trabalho, no lazer etc. Educamos aprendendo a integrar em novas sínteses o real e o imaginário; o presente e o passado olhando para o futuro; ciência, arte e técnica; razão e emoção.

Nesse sentido, a superação da obsolescência dos métodos de ensino de disciplinas técnico-tecnológicas encontra amparo no Parecer CNE/CEB nº 11/2008, que estabelece diretrizes fundamentais para a formação profissional:

A proposição, implantação, intervenção direta ou indireta em processos, além do controle e avaliação das múltiplas variáveis encontradas no segmento produtivo, identificam esse eixo. Traços marcantes desse eixo são a abordagem sistemática da gestão da qualidade e produtividade, das questões éticas e ambientais, de sustentabilidade e viabilidade técnico-econômica, além de permanente atualização e investigação tecnológica, componentes fundamentais na formação de técnicos que atuam em equipes com raciocínio lógico, iniciativa, criatividade e sociabilidade. (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2008).

  • 2. O Contexto do Estudo de Caso: IFES Campus Presidente Kennedy

A preocupação com o desinteresse discente e as dificuldades de aprendizagem tem mobilizado educadores na busca por novas fórmulas pedagógicas (MACEDO et al., 2000). No município de Presidente Kennedy (ES), essa problemática foi abordada por meio de uma parceria entre a Prefeitura Municipal e o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES). O objetivo foi desenvolver um projeto de infraestrutura educacional voltado à formação de técnicos capazes de atender às demandas regionais, tais como a revitalização portuária, melhorias viárias, modernização do aeroporto regional e estudos de viabilidade ferroviária.

Em 2022, a direção-geral do IFES Campus Presidente Kennedy promoveu a articulação entre as diretrizes teóricas, mencionadas anteriormente (MORAN; MASETTO; BEHRENS, 2000), e a materialização física do projeto. O planejamento considerou variáveis estratégicas como a escolha de um terreno de 135.000 m², prevendo expansão futura, logística de transporte, infraestrutura de energia e conectividade de dados.

  • 3. Fundamentação Pedagógica e a Prática Profissional

A construção dos requisitos arquitetônicos visou atender à demanda por um perfil de aluno multiqualificado. Para melhorar o processo de ensino-aprendizagem, recorreu-se a Nóvoa et al. (1999, p. 67), que afirma:

A imagem da profissionalidade [profissão docente] ideal é configurada por um conjunto de aspectos relacionados com os valores, os currículos, as práticas metodológicas ou a avaliação. […] Assim se constroem crenças e aspirações que formulam diferentes exigências em relação à participação do professor.

Complementarmente, Perrenoud et al. (2001, p. 26) enfatiza:

O professor profissional é, antes de tudo, um profissional da articulação do processo ensino-aprendizagem em uma determinada situação, um profissional da interação das significações partilhadas.

A centralidade da ação docente é inegável na mediação do conhecimento. A interação professor-aluno, apoiada por condições estruturais adequadas aos aspectos sociológicos, psicológicos e técnicos, é o alicerce para a formação integral.

  • 4. O Projeto Arquitetônico como Instrumento Pedagógico

O planejamento da infraestrutura seguiu critérios rigorosos de acessibilidade e sustentabilidade. O campus foi projetado com blocos acadêmicos que integram laboratórios de informática, química, física e biologia em pavimentos térreos, otimizando o uso dos espaços e promovendo a ventilação e iluminação natural.

Os blocos acadêmicos contam com biblioteca para imersão em pesquisas bibliográficas e bases de dados. A conexão entre os blocos foi idealizada com elementos que remetem à fluidez (formas em ondas), culminando no Bloco Centro de Utilidades, estruturado para atender a comunidade acadêmica com capacidade ampliada para refeições e suporte de manutenção.

Visando à inovação, foi projetado um bloco dedicado a um ecossistema de empreendedorismo, reunindo empresas, startups e a agência de inovação do IFES (AGIFES). Complementam o projeto:

  •  Unidade de Energia: Focada em fontes renováveis.
  •  Bloco de Laboratório Especializado: Projetado com vãos amplos para modelagem e simulações complexas.
  •  Espaços Socioculturais: Anfiteatro para 100 pessoas e Teatro para 350 pessoas, integrando cultura e ensino.
  •  Complexo Desportivo: Infraestrutura completa (quadras, piscina, ginásio, estádio com capacidade para 1.500 pessoas e pistas de atletismo), essencial para a formação integral e o desenvolvimento da sociabilidade.
  •  Internacionalização: Sistema de hospedagem para alunos e pesquisadores nacionais e estrangeiros.

5. Considerações Finais

O projeto, com cerca de 22.000 m² de área a ser construída, materializa um pensamento sistêmico educativo. A parceria com a Prefeitura Municipal de Presidente Kennedy viabiliza, por meio da aplicação de royalties do petróleo, a entrega de uma infraestrutura que se projeta como referência nacional. A conclusão, prevista (ainda sem cronograma definitivo), mas para um horizonte de quatro anos, permitirá a formação de profissionais alinhados às necessidades da sociedade contemporânea.

Autor: Professor do IFES – Instituto Federal do Espírito Santo. Ex-diretor-geral do IFES Campus Presidente Kennedy (ES). Doutor em Educação e Mestre em Engenharia de Produção. Possui experiências sólidas na área industrial e de serviços.

  1. Referências 

CECCON, Fátima Agrizzi; CRUZ, Dorlei Fontão; PELLA, Jadir José. Entrevista de reconhecimento de implantação ao Projeto Infraestrutura do IFES Campus Presidente Kennedy-ES. (Notas pessoais: José Alexandre de Souza Gadioli). Presidente Kennedy, ES, 2022.

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Parecer CNE/CES nº 11/2008: proposta de instituição do Catálogo Nacional de Cursos Técnicos de Nível Médio. Brasília, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf/pceb011_08.pdf. Acesso em: 24 out. 2012.

GADIOLI, José Alexandre de Souza. O uso de jogo JIT CARD como estratégia de ensino aprendizagem de serviços de manutenção industrial. 2016. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2016.

MACEDO, Lino et al. Aprender com jogos e situações-problema. Porto Alegre: Artmed, 2000.

MORAN, José M.; MASETTO, Marcos M.; BEHRENS, Marilda A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 5. ed. São Paulo: Papirus, 2000.

NÓVOA, António et al. Profissão professor. 2. ed. Porto: Porto Editora, 1999.

PERRENOUD, Philippe et al. Formando professores profissionais. Porto Alegre: Artmed, 2001.

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Alexandre Gadioli
Alexandre Gadioli
Professor de educação profissional, com experiências de começos e recomeços. Acredito em saltos de fé como prova de que o caminho pessoal e profissional continua — mesmo quando dizem que já era.

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