A mecanização no campo tornou-se uma parceira fundamental para os agricultores, em especial aqueles com mais idade, que veem em tratores e drones uma maneira de diminuir o trabalho braçal e preservar a produtividade com maior segurança. No Espírito Santo, essa prática está se tornando cada vez mais frequente, modificando o dia a dia nas plantações de café e em outras culturas.
O cafeicultor Antônio Carlos Soares, de 69 anos, dono de uma propriedade em Vila Valério, no Noroeste do estado, ilustra bem essa transformação. Ele iniciou sua jornada na lavoura ainda na infância, aos 8 anos, ajudando o pai. Após décadas dedicado ao plantio do café, percebeu que, para permanecer no campo com boa qualidade de vida, seria necessário adotar soluções tecnológicas que reduzissem o desgaste físico.
“Isso motiva o produtor a seguir no campo e a trabalhar até uma idade mais avançada, porque facilita as atividades. Antigamente, o café era carregado nas costas. Hoje, existem máquinas que colhem e já depositam o grão no caminhão. Não é mais preciso manusear os sacos de café para levantar”, relatou o agricultor em entrevista.
Redução do esforço, aumento da produtividade e da segurança
A fazenda de Antônio Carlos conta atualmente com cerca de 60 mil pés de café e alguns drones, empregados principalmente para a pulverização de defensivos. Essa troca do equipamento costal pelos drones representa um avanço considerável para a saúde e a ergonomia. “Antes, era necessário usar a bombinha costal. Hoje, quase não a utilizamos mais”, ressaltou o cafeicultor.
O engenheiro agrônomo Perseu Fernando Perdona, da cooperativa Cooabriel, esclarece que o emprego de drones elimina o contato direto do trabalhador com produtos químicos e diminui o perigo de lesões ergonômicas. “A saúde ergonômica também melhora, pois não é preciso carregar o costal. Evita o transporte de peso e ainda ganha tempo, otimizando a rotina do produtor para que ele realize outras tarefas”, explicou.
A tecnologia como facilitadora da sucessão familiar
Para além dos ganhos imediatos para a saúde dos agricultores mais experientes, a mecanização no campo também cumpre um papel relevante ao atrair os jovens para o setor. Octávio Ribeiro, supervisor de vendas da Cooabriel, enfatiza que a inovação fortalece a continuidade do trabalho familiar nas propriedades rurais. “A tecnologia chega para agregar de forma construtiva, para que os jovens se envolvam mais com o campo e se interessem em dar continuidade à atividade dos pais, dos avós, ao que é da família”, afirmou em pronunciamento público.
Para assegurar que os equipamentos sejam utilizados de maneira segura e eficaz, a Cooabriel oferece suporte técnico aos agricultores. Engenheiros agrônomos e especialistas em agropecuária acompanham as lavouras, avaliando o vigor das plantas, a taxa de crescimento, a presença de pragas e doenças, e orientam sobre a aplicação de corretivos de solo e fertilizantes.
“Analisamos o vigor, a velocidade de crescimento da lavoura, a ocorrência de alguma praga ou doença, a necessidade de algum corretivo de solo, qual fertilizante usar, quando e como aplicar”, detalhou Octávio Ribeiro. Segundo ele, qualquer ferramenta que ajude desde o preparo do terreno até a colheita e a venda é considerada tecnologia incorporada à propriedade, contribuindo para um serviço mais ágil e produtivo.
A mecanização não substitui o saber tradicional dos agricultores, mas o aperfeiçoa, permitindo que permaneçam ativos por mais tempo e com maior qualidade. Para Antônio Carlos Soares, a inovação é a certeza de que a trajetória da família na lavoura prosseguirá. “O café sempre foi o sustento da família. Eu segui meu pai, ajudando ele a trabalhar desde pequeno”, recorda, confiante de que as máquinas e drones estão auxiliando a redigir os próximos capítulos dessa história.






