Super El Niño pode afetar agronegócio e elevar risco de seca e calor no ES

Fenômeno climático pode provocar aumento das temperaturas, perdas nas lavouras, enchentes e pressão sobre os recursos hídricos no Espírito Santo

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A possibilidade de formação de um Super El Niño nos próximos meses já acendeu o alerta entre produtores rurais, especialistas e setores econômicos do Espírito Santo. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode provocar mudanças severas no clima e afetar diretamente o agronegócio capixaba.

De acordo com projeções internacionais, as temperaturas do Pacífico podem ficar até 3°C acima da média histórica, um cenário considerado raro e de forte impacto climático. A NOAA, agência climática dos Estados Unidos, aponta 96% de probabilidade de o El Niño atuar plenamente nos próximos meses.

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Calor extremo preocupa produtores rurais

Especialistas ouvidos pela reportagem alertam que o principal efeito no Espírito Santo será o aumento expressivo das temperaturas, principalmente entre agosto e o verão de 2026. O calor excessivo pode prejudicar lavouras importantes para a economia capixaba, como café, mamão, banana, cacau e hortaliças.

A professora de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Kyssyanne Oliveira, explicou que o fenômeno tende a intensificar os bloqueios atmosféricos e elevar ainda mais as temperaturas no Estado. Com isso, cresce também a necessidade de irrigação nas propriedades rurais, aumentando a pressão sobre rios, reservatórios e sistemas de abastecimento.

Chuvas intensas também entram no radar

Além do calor, o Super El Niño pode provocar chuvas rápidas e extremamente intensas. Segundo especialistas, esse cenário aumenta o risco de enxurradas, erosão do solo, alagamentos e perda de nutrientes das plantações.

O meteorologista Hugo Ramos, do Incaper, destacou que as mudanças climáticas podem causar impactos severos na produtividade agrícola e até comprometer áreas de pastagem usadas pela pecuária. De acordo com ele, o fenômeno deve começar a ser sentido com mais intensidade entre julho e agosto. Por isso, a recomendação é que os produtores acompanhem diariamente os boletins meteorológicos para planejar o manejo das lavouras e reduzir prejuízos.

Economia e pesca também podem sofrer impactos

Os reflexos do fenômeno não devem atingir apenas o campo. O setor pesqueiro também pode enfrentar dificuldades devido ao aquecimento do Oceano Atlântico, que costuma responder aos efeitos do El Niño. Além disso, especialistas alertam para possíveis aumentos nos preços de alimentos e insumos agrícolas caso ocorram perdas de safra no Brasil ou em outros países produtores.

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