Quilombolas seguem sem informações sobre contaminação de mananciais

Após o vazamento da Alcon, 42 famílias estão utilizando água de cisterna há mais de uma semana.

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Passados mais de sete dias do derramamento de resíduos industriais da Usina Alcon que afetou o Córrego do Matador e o rio Angelim, em áreas de comunidades quilombolas de Conceição da Barra, no norte do estado, os moradores continuam sem acesso aos laudos ambientais e exigem esclarecimentos dos órgãos competentes sobre a poluição hídrica.

A situação foi revelada quando quilombolas detectaram uma vasta mortandade de peixes e camarões nas margens do rio, além de relatos de água escurecida, cheiro intenso e aspecto de “ebulição” ou borbulhamento. O incidente teria sido originado por um escape de rejeitos da fabricação de etanol da cana-de-açúcar, provavelmente vinhaça ou vinhoto, na vizinhança da Usina Alcon.

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Desde o ocorrido, agências ambientais e órgãos públicos realizaram inspeções técnicas e colheram amostras na localidade, porém os residentes afirmam que nenhum resultado foi divulgado até o momento. A líder quilombola Flávia Santos destaca que a comunidade carece de informações oficiais sobre os perigos da água consumida pelas famílias.

Conforme ela, a Defensoria Pública está em negociações para viabilizar uma análise autônoma da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e a comunidade também demanda ações emergenciais para assegurar água potável. Flávia informa que 42 famílias permanecem sem abastecimento adequado desde a contaminação. “Agora pediram os dados das famílias para tentar obter água potável. Mas, até o momento, a maioria continua consumindo água da cisterna”, afirma.

Ela menciona que diversas famílias ainda dependem das cisternas localizadas perto da margem do Angelim, apesar da insegurança devido à falta de laudos técnicos sobre uma eventual poluição na área. Lideranças comunitárias alertam para o temor de que resíduos possam ter contaminado também o solo.

O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) declarou que instaurou uma Notícia de Fato para investigar uma possível contaminação ambiental no Córrego do Matador, após receber documentação que apontava alterações na qualidade da água e mortalidade de peixes e camarões na região, com evidências de descarte irregular de rejeitos da atividade industrial da Usina Alcon.

De acordo com o órgão ministerial, foram solicitadas inspeções técnicas, coleta de amostras e relatórios ao Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), ao Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) e à Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O MPES também pediu monitoramento das necessidades da população local, “inclusive quanto ao eventual fornecimento de água para consumo humano e animal”.

Em resposta ao Ministério Público, o Iema informou que realizou diligências desde o recebimento da denúncia, localizou a área do vazamento e determinou ações emergenciais de retirada de resíduos, limpeza da zona afetada e vigilância ambiental. O órgão salientou, no entanto, que as análises laboratoriais e o parecer técnico final ainda exigem mais tempo devido à complexidade da apuração. Diante disso, o MPES solicitou novas informações ao Iema, no prazo de 15 dias, acerca de ações de mitigação e assistência à comunidade. O procedimento foi estendido por 90 dias.

A Defensoria Pública do Espírito Santo aguarda o relatório técnico do Iema sobre a possível poluição no rio Angelim. A Polícia Federal do Espírito Santo afirmou que, “por enquanto, não fará comentários sobre a operação relacionada ao caso”.

Moradores relatam que equipes do Iema permaneceram vários dias na região realizando monitoramento e visitas à represa e às comunidades, e também houve a presença de representantes do Núcleo de Polícia Ambiental e Fiscalização (NPF), que elaboraram relatórios e registros fotográficos da área atingida.

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