Uma conversa entre a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e dez influenciadores digitais de várias regiões do Brasil marcou o final da manhã de sexta-feira (22). O encontro aconteceu durante a programação da 6ª Teia Nacional, sediada em Aracruz, no Espírito Santo.
A relação entre Cultura e Meio Ambiente – tema central desta edição do evento –, a conexão entre saberes ancestrais e periferias, os obstáculos no acesso à cultura em regiões distantes dos grandes centros urbanos e a relevância da representatividade negra em posições de poder estiveram entre os tópicos discutidos pelo grupo. A mediação da conversa ficou a cargo da consultora Priscila Mércia.
A influenciadora Maria Verediano, de Cachoeiro de Itapemirim (ES), que surgiu a partir da Lei Aldir Blanc, levou ao debate a pauta da educação antirracista. Idealizadora e produtora do Descolonize Educa – projeto iniciado com um ciclo de debates que se transformou em uma página dedicada ao letramento social, com seguidores em Portugal, Angola e Moçambique –, ela perguntou o que motivou o Ministério a selecionar Aracruz como sede da 6ª Teia. O município, com forte vocação para a preservação das culturas tradicionais, abriga 12 comunidades indígenas.
“A intenção do Ministério da Cultura em trazer essa Teia falando de eventos climáticos para cá é vislumbrar mais, se apropriar das pautas e linguagens dos povos originários”, afirmou a ministra. E complementou: “Com isso a gente quer dizer, sim, a cultura indígena é a cultura original do Brasil”.
“Como o Ministério pensa essa descentralização, principalmente através dos Pontos de Cultura?”, indagou Priscila Gama, também do Espírito Santo.
“Pela primeira vez na história do país, a gente tem aí o governo chegando com suas ações a mais de 90% das cidades brasileiras e 100% dos estados”, declarou Margareth Menezes. A titular da Cultura lembrou ainda que os investimentos do Governo do Brasil chegaram ao Estado por intermédio da Lei Paulo Gustavo, da Política Nacional Aldir Blanc e de iniciativas como o Rouanet Nordeste, que abrange municípios do norte do Espírito Santo. Por meio desse programa, serão destinados R$ 2 milhões aos municípios capixabas, nas áreas de Artes Cênicas, Humanidades, Música, Artes Visuais, Audiovisual e Patrimônio Cultural. As inscrições seguem abertas até o dia 4 de setembro, pela plataforma do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic).
O fortalecimento da cadeia cultural, especialmente no recorte ambiental, foi a questão apresentada pela influenciadora Kamila Camilo, de São Paulo. O tema dialoga diretamente com a sexta edição da Teia, que neste ano adota como lema os Pontos de Cultura pela Justiça Climática.
Nessa mesma linha, Jordan Correia, de Salvador (BA), abordou a atuação de grupos como cooperativas e catadores e sua ligação com a Cultura. Já Liriel Farias, de Realengo, no Rio de Janeiro, discutiu a Justiça Climática e sua interseção com Cultura e Educação.
Mateus Fernandes, influenciador de Santos, litoral de São Paulo, foi o primeiro de sua família a obter um diploma universitário. Ele ingressou pelo Prouni e hoje utiliza as redes sociais para debater meio ambiente, cultura periférica e cotidiano.
As novas gerações foram os temas escolhidos pelas comunicadoras Vanessa Carvalho, da Bahia, e Obirin Odara, do Distrito Federal. A primeira concentrou-se na relação das novas gerações com a ancestralidade; a segunda, no contexto das barreiras invisíveis – ou simbólicas, como ela mesma pontuou – que impactam jovens que vivem à margem dos grandes centros.
Ações voltadas ao reconhecimento e valorização de pessoas negras, indígenas e quilombolas estiveram presentes nas falas de Manoela Ramos, de Cairu (BA), e Laís Llourayne, do Quilombo do Baú, em Minas Gerais.
Uma das iniciativas do MinC destacadas pela ministra foi o relatório de Propriedade Intelectual (PI) para Mulheres Quilombolas: Promovendo o Patrimônio Cultural e o Empoderamento Econômico. O documento, elaborado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), em parceria com a Secretaria de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual (SDAI) e a Fundação Cultural Palmares (FCP), evidencia os impactos da formação desse grupo, enfatizando a relevância da preservação cultural e do fortalecimento econômico dessas comunidades.
Teia Nacional
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura congrega agentes culturais, coletivos, mestras e mestres das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.
O evento é promovido pelo Ministério da Cultura, pelo Governo do Estado do Espírito Santo, pela Prefeitura de Aracruz e pela Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em colaboração com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, a Unesco e o programa IberCultura Viva.







