Um levantamento inédito acende um alerta vermelho sobre a situação educacional no Brasil. De acordo com um estudo produzido por pesquisadores do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o país contabiliza atualmente 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que abandonaram os bancos escolares antes de concluir a educação básica. Esse contingente alarmante representa 37,3% de toda a população brasileira nessa faixa etária, um número absoluto que supera a população total de nações inteiras, como a Itália ou a África do Sul.
A pesquisa foi apresentada oficialmente durante o lançamento da Rede EJA e Inclusão Produtiva, uma iniciativa que congrega 16 organizações da sociedade civil voltadas para o fortalecimento e ampliação do acesso à Educação de Jovens e Adultos, além de incentivar a inserção desse público no mercado de trabalho. Embora os dados gerais apontem para uma aparente diminuição no total de brasileiros sem a formação básica concluída ao longo dos anos, os bastidores desse recuo trazem uma constatação incômoda e trágica sobre a realidade social do país.
Os analistas revelaram que a redução da demanda por vagas na modalidade de ensino para jovens e adultos não tem ocorrido por causa do sucesso ou da expansão de políticas governamentais de escolarização. Na verdade, a principal força motriz por trás da queda desses índices é o fator demográfico da mortalidade. O relatório indica que 51% da redução da fila histórica observada desde o ano de 2012 aconteceu simplesmente porque as pessoas idosas e adultas que faziam parte dessa estatística faleceram antes de ter a oportunidade de retornar às salas de aula.
Em contrapartida, a retomada efetiva dos estudos por meio do programa oficial de Educação de Jovens e Adultos foi responsável por apenas 8% da redução desse passivo educacional no mesmo intervalo de tempo. O descompasso estatístico revela uma dura proporção, pois, para cada cidadão brasileiro que conseguiu obter o diploma da educação básica graças aos esforços de inclusão escolar, mais de seis indivíduos morreram sem conseguir terminar a trajetória escolar básica.
Diante desse cenário, os especialistas e os membros da nova coalizão civil ressaltam a urgência de uma reformulação profunda nas estratégias educacionais. O documento final do estudo enfatiza que o envelhecimento natural dessa população impõe uma espécie de corrida contra o tempo para o poder público. Segundo o alerta dos pesquisadores, os próximos dez a quinze anos representam a última janela de oportunidade real para que o Estado consiga alcançar e amparar as gerações remanescentes que nasceram entre as décadas de 1960 e 1980, evitando que milhões de outros cidadãos terminem suas vidas sem o acesso pleno ao direito fundamental da educação.







