Os impactos do mau uso e da adesão excessiva às redes sociais para a saúde mental são bem conhecidos. Um estudo recente, publicado na revista científica Journal of Affective Disorders Report, concluiu que adultos jovens que passam mais tempo nas mídias são significativamente mais propensos a desenvolver um quadro de depressão em somente seis meses, seja a personalidade deles qual for. O cenário é preocupante, mas há dicas para um uso mais responsável das redes àqueles que desejam se proteger dos malefícios.
O assunto foi um dos mais discutidos no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) deste ano. Os especialistas elencaram formas para proteger a saúde mental dos usuários e como alguns hábitos podem minimizar os impactos.
A líder de políticas públicas do Instagram para a América Latina, Natália Paiva Natália, explica que de fato é uma frente da plataforma que o uso seja mais saudável, por isso algumas ações passaram a ser proibidas na rede. Conteúdos que promovam ou ensinem atos autodepreciativos, por exemplo, são excluídos do aplicativo por meio de uma inteligência artificial. Além disso, o Instagram monitora as buscas dos usuários em relação a temas que abordam saúde mental.
“Toda vez que alguém no Instagram procura palavras como ansiedade, depressão, ela recebe uma notificação com a mensagem “podemos ajudar?”, e se ela escolher que sim ela é conectada com o Centro de Valorização da Vida (CVV) no Brasil ou com a Associação Brasileira de Transtornos Alimentares, se forem buscas relacionadas a bulimia e anorexia, por exemplo”, explica Natália.
Já em relação ao usuário, há ações para prevenir o adoecimento pelo impacto das redes. O primeiro deles é limitar o acesso, já que o uso excessivo é diretamente ligado a um impacto negativo maior. Para isso, basta clicar no menu “sua atividade”, no aplicativo, e em seguida “tempo gasto”. Ali há a alternativa “definir limite de tempo diário”, em que é possível estipular um período máximo para que o próprio Instagram encerre a navegação na rede.
O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, discorreu sobre os hábitos que o usuário deve ter em mente durante a experiência com a rede social. O primeiro deles é pensar na chamada intencionalidade do uso. Ou seja: sempre que abrir o aplicativo, perguntar a si mesmo o porquê de ter entrado na rede, se é para olhar o perfil de um amigo distante, buscar uma informação específica, e assim não se perder no mar de conteúdos que são exibidos.
O segundo é pensar por que usar a rede social e não realizar outra atividade no lugar. Muitas vezes o ato de entrar em determinada plataforma é automático, e nos esquecemos de cogitar alternativas para ocupar o momento de lazer que podem ser mais saudáveis, fora do mundo digital.
Além disso, eles destacam que é importante refletir sobre como o conteúdo e o perfil que está sendo mostrado na rede faz o usuário se sentir. Por vezes, a pessoa segue outras contas que fazem postagens que provocam sentimentos negativos, mas não deixam de acompanhá-las por se sentirem mal em parar de segui-las.
Outras plataformas
Um psiquiatra afirmou que é uma grande preocupação da associação a relação entre as plataformas e a saúde mental. Não apenas os impactos que elas causam, mas as informações disseminadas por elas que podem ser inimigas ou aliadas de pessoas que precisam de ajuda.
Um exemplo é uma parceria da ABP feita com a Alexa, assistente virtual de voz da Amazon, alimentando o sistema com todas as evidências científicas sobre saúde mental e retirando conteúdos que são duvidosos e não tem fundamentação. Com isso, quando o usuário pede informações ligadas ao tema, elas são fornecidas de uma fonte confiável.
Instagram: Saiba como não afetar a saúde mental e gerar problemas de ansiedade e depressão







