Está cada vez mais comum usuários de carros por aplicativo reclamarem da demora para encontrar um motorista em sua região – mesmo que seja um local central e de fácil acesso. O tempo de espera de mais de 20 minutos, por exemplo, para que uma solicitação de corrida por aplicativo seja aceita, tem sido uma realidade para muitos passageiros. Mas qual seria o motivo? Falta de carros, problemas técnicos, alta demanda?
Para entender melhor o que acontece, a reportagem do MovNews ouviu o lado dos motoristas a respeito desse assunto. Confira!
Segurança
Para João Gomes, são vários fatores que resultam nessa espera. Um deles é em relação a localidade. O motorista contou que não dá para aceitar qualquer tipo de corrida.
“Calculo muito as corridas em relação à segurança. Ainda que seja uma viagem que traga um bom ganho, eu prefiro não me arriscar e pegar uma corrida simples, com um ganho menor”, explicou.
Gomes, que está na profissão há quatro anos, acrescentou. “Não existe um lugar que é seguro. Estamos muitos vulneráveis. Por isso, analiso cada solicitação. Não pego qualquer corrida, para qualquer local, principalmente onde há muitos riscos de assaltos. Eu trabalho assim”, informou o motorista, que ainda citou que observa a nota dos passageiros antes de aceitar ou não a corrida.
Falta de educação
O motorista de aplicativo ainda falou da questão da demora na espera por parte dos passageiros. “Às vezes eles (passageiros) reclamam que demoramos a chegar. Mas eles também demoram a embarcar e nesse tempo, dependendo do local, estamos sujeitos a ser assaltados”, destacou.
Quem também reclamou sobre algumas condutas de passageiros foi Sávio Kill, que dirige no sistema há quase cinco anos. O motorista relembrou um episódio.
“Certa vez uma senhora pediu uma corrida na Reta da Penha, em Vitória, em horário de pico, onde não tem como parar para ficar aguardando. Antes de chegar no local, informei que já tinha chegado. E mesmo assim a passageira disse que estava descendo do prédio. Assim fica difícil”, se queixou Kill, que informou ter entrado em uma rua próxima para ficar aguardando. “Isso é uma falta de educação”, criticou.
Educação
Sávio atribui o fato a uma questão cultural. “Em países como o Estados Unidos, o passageiro aguarda com um certa tranquilidade. Aqui, não. Infelizmente, a educação é um fator que falta na nossa cultura. Imagina um motorista ficar cinco minutos em uma área de risco, que é o tempo que as operadoras determinam, para que aguardemos os passageiros? E isso acontece em 95% dos casos, principalmente com mulheres”.
O motorista, que informou trabalhar por meta diária, saindo de casa às 5 horas manhã e só voltando 20 horas, informou que deveria haver mais empatia por parte dos passageiros. “Não são todos, mas muitos entram em nossos carros, não dão um bom dia, boa tarde, boa noite. Batem a porta, não são cordiais. Acham só porque estão pagando, estão nos fazendo um favor e podem fazer o que querem”, contou, revoltado.
Corrida a R$ 5
Para Luiz Fernando, Presidente da AMAPES (Associação de Motoristas de Aplicativo do Espírito Santo), o fator crucial é o valor das corridas.
“Hoje, com tudo caro, tem corridas que o profissional recebe apenas R$ 5,20, R$ 5,30. O valor é muito baixo e acabam não valendo a pena. Por isso, os motoristas analisam e acabam selecionando quais serão aceitas para que não fiquem no prejuízo”.







